4 de dez de 2015

Caio, 5 meses. O que aprendi. E não aprendi

Caio, quase meio ano conosco. Que aventura tem sido. Quantas vezes seus pais se apaixonaram e brigaram de novo pelos mesmos motivos: a forma como és criado, como levar a vida e a relação a dois após sua vinda, e também pelas tantas noites sem sono tranquilo, o que tira o bom humor de qualquer mortal.
Ainda não sei na maioria das vezes porque você chora conforme dizem que os pais aprendem. Ainda não aprendi, será que um dia irei? Ainda não sei o que fazer para você dormir uma noite inteira, nem como te pôr pra dormir sem protestos de sua parte. Deixar no berço e dizer boa noite depois de uma história. Será que um dia? Ainda não sei cortar suas unhas, a simples ideia de uma tesoura, mesmo sem ponta perto de um bebê me deixa apavorada, e o cortador e lixa parecem não dar conta de unhas moles e meio encravadas.
Ainda não sei usar o sling direito, e nem por quanto tempo conseguirei te segurar, sendo você um bebê tão grande e forte parecendo mais filhote de gorila e não de dois saguis magrelos feito seus pais. Ainda não sei como suportarei te deixar para ser cuidado por estranhos, quando chegar a hora da creche. Ainda não sei como tem amigo dos seus pais que ainda não tirou o tempo da cartola para vir te conhecer. Mas isto, eu sei, é porque sou uma mãe coruja e mesmo correndo o risco de ser ridícula, te acho um dos bebês mais lindos e simpáticos que eu já conheci.
Também já sei que sou mãe conforme sempre fui de personalidade: Atrapalhada, palhaça e teimosa. No bom e no mau sentido, pois não sei quando minha teimosia é pela forma correta ou errada de te cuidar. Sei que te ter no colo e te fazer rir são as melhores coisas do mundo. Sei que a vida pré Caio era cheia de tempo e tédio. E que este meu coraçãozinho egoísta nunca poderia pensar em amar tanto alguém antes de você nascer.
Feliz mensário, que venham centenas destes, e que eu possa estar contigo na maioria deles.

29 de nov de 2015

Que parto!

E quanto tempo! Meus vinte leitores; Saudades! Queria escrever mais coisas sobre a gestação, mas agora, mais de 4 meses depois do nascimento do Caio parece já um mundo distante a época de gravidez. Os quilos já foram perdidos, a barriga secou, tirando o umbigo ainda meio caído, tudo voltou ao normal. Quantas vezes e quantas coisas quis escrever, mas parece que toda vez o Caio acordava, reclamava, protestava...pode ser timidez. Ele nem sabe da existência do diário da vida uterina dele. E nem das tantas experiências e vivências que ele nos faz ter pelo simples fato de estar no mundo. Hoje ele resistiu muito às sonecas e dormiu cedo à noite, escapando do banho (ah, malandro!). Por isso eu estou de volta.
Voltar ao blog é interessante, pois a última postagem foi exatamente um dia antes do nascimento, e no mesmo dia 3 de julho, por volta das 23:30 da noite a bolsa estourou. Mais de 20 horas depois, as 20:14 do dia 04 de julho Caio nasceu. E eu aqui escrevendo sobre os "longos" partos de 15 horas e o quanto eu esperava ser um dos casos de parto simples e natural, daqueles que nem precisa anestesia.
Ao menos as primeiras 10 horas não senti muita dor, as contrações pareciam fortes cólicas e tinham intervalos de meia hora entre elas. No final da manhã e no começo da tarde do dia 04 as dores aumentaram e ficaram menos espaçadas, e entre as contrações eu também sentia dor, só menos intensa. Pedi arrego mesmo,ou melhor, a peridural. A médica me perguntou pela manhã o grau da minha dor, de 0 a 10, e eu disse 7. No meio da tarde ela não perguntou, mas eu disse 11, me dá uma anestesia, PELAMORDEDEUS. Não exatamente com estas palavras, mas com este nível de desespero no olhar. Não gritei. Não entendo quem grita com dor. Até hoje acho que dor de quem grita não é tão aguda, pois com muita dor se fica fraco. Escorriam lágrimas aos borbotões como dizem nos livros antigos. E eu não conseguia falar quase nada. A pressão subiu e eu estava quase inconsciente. Disse o anestesista ter perguntado meu nome 3 vezes e eu não respondi. Perguntou? A médica não quis dar a anestesia logo, me pediu para tentar sentar na bola de Pilates (ai, doeu mais) ou ficar sentada embaixo do chuveiro quente, pois a dilatação estava grande e se tivesse anestesia ia demorar bem mais o parto. Eu falei: prefiro 3 horas de parto do que mais 1 minuto desta dor. Eu e minha grande boca novamente. Ficamos 3 horas na sala de parto.
A mão do pai foi tão apertada que ele teve de tirar a aliança para eu não machucar. E o chuveiro só serviu para amenizar as dores entre as contrações, pois as danadas continuavam doendo de quase desmaiar. Uma dor aguda e perturbadora. Achei que minha época de adolescente atleta poderia ter reforçado meu corpo. Mas na verdade tive muito mais tempo de sedentarismo.
Enfim, após uma longa hora de chuveiro e eu insistindo na anestesia, ela acionou o anestesista, mas ele estava acompanhando uma cesárea. Depois fui levada pra sala de anestesia, e esta história de passar imediatamente a dor não funcionou. Foi diminuindo, mas ainda doía e agora eu nem tinha mão para apertar, pois na sala fiquei sozinha olhando para um relógio de parede, sentada na cadeira de rodas nada confortável. Quando se podia conversar comigo e as lágrimas secaram, talvez uma hora depois, eu fui pra sala de parto.
Doutora Beatriz foi um poço de paciência e calma, parecia uma parteira velha e sábia, e não uma jovem médica. Colocou música, gênero escolhido por mim, me fez trocar de posição várias vezes para manter o ritmo dos batimentos do bebê, falava "ótimo", está quase, toda vez que eu fazia força. E o papai ponta firme do Caio falava "quase, muito bom". O "quase" deles demorou 3 horas, eu muitas vezes pensei em pedir uma cesárea, mas sabia que naquela altura não seria muito conveniente, pra dizer o mínimo. Por efeito da anestesia, só sabia que estava fazendo força por um alívio da dor na costela, e pela lembrança que temos do movimento de força para baixo.
A vovó do lado de fora rezou para a nossa senhora do bom parto, que eu nem sabia da existência, pelas longas horas.
Te digo que eu mesma quase não acreditei quando nasceu. E não tive nada de tanta emoção instantânea. Tive alívio, alívio porque deu certo, alívio porque acabou, alívio porque nasceu. E não acho que já sabia o que fazer ou como segurar o Caio. Estava trêmula do esforço, do cansaço, nada do que li me passava pela cabeça, nenhuma preparação na hora da estafa. As enfermeiras me deram e colocaram no meu peito para mamar o colostro. E elas apertam o peito, e dói, mas saiu o líquido, ufa de novo. Levo o Caio nos braços e na cadeira de rodas para o quarto depois de ser lavada e me colocarem a fralda.
Depois é a preocupação, a rotina de 48 horas de maternidade com muitas visitas para o Caio e para mim. Tira pressão, dá banho no Caio, toma remédio, traz lanche, traz almoço, vem pediatra, ginecologista, enfermeira, e sei lá mais quem do hospital. Não se dorme também, qualquer respirada mais funda do bebê eu acordava, pegava nele para ele me sentir e eu senti-lo.
Sinceramente só me emocionei mesmo quando saímos da maternidade, e mesmo na noite chuvosa e sem lua Caio prestava muita atenção em todas as luzes e movimentos, olhando com os olhos bem vivos e curiosos. Lá estava meu filho, experimentando o mundo pela primeira vez.

3 de jul de 2015

Sobre os príncipes e princesas e o meu macaquinho!

De um tempo pra cá, não sei quando, virou moda chamar os filhos de "herdeiros", príncipes, princesas. Mesmo se os pais forem assalariados e sem muitas posses. Nos enfeites de porta de maternidades, chás de bebê, roupas e outros itens de decoração para crianças, proliferam as imagens de coroas, com tons dourados, rococós e outros ícones de realeza. Já lidávamos com as princesas Disney faz tempo, mas não lembro de ver tantas alusões à monarquia para comemorar o nascimento e a vida de ambos os sexos de crianças. Talvez em outros países com governos de monarquia isto nunca tenha deixado de ser moda, mas é interessante notar esta onda no Brasil, e ver que infelizmente o complexo de inferioridade tupiniquim ainda persiste em muitos âmbitos da nossa vida, mesmo assim disfarçados na beleza de inocentes artesanatos.
Dizer simplesmente que é brega seria uma opinião vazia. Não que eu não ache. Mas vou além. Acho mesmo a monarquia uma forma ultrapassada e onerosa de governo. Não acho bonito ser príncipe. Não me acho também uma "rainha do lar" para ter um "herdeiro" considerado príncipe. Não quero tampouco que ele seja tratado como tal, nem por mim nem por ninguém. Este tratamento diferenciado, como se realeza tivesse mesmo outra cor de sangue ou outro cheiro de cocô (no popular, cagar perfumado) não me parece adequado para educar nenhuma criança. Ainda mais uma de classe média, filho de professor no Brasil e de mãe por enquanto desempregada, e portanto, sem grandes regalias na vida.
Mas aí está também um sintoma de mães e pais "tardios", com mais de 30, quase 40 anos, que pensam em ter só um filho e acabam colocando a criança num pedestal. Muitas vezes trabalham como escravos para manter o padrão de vida de príncipe para o filho. E o filho pode tudo. Como um príncipe realmente. Mas no caso um príncipe filho de proletário. Estranha situação.
Por outro lado, se ele é um príncipe, terá de esperar calado sem muito poder apitar até que o rei ou rainha faleça e ele venha a assumir o "trono", o mando da casa. Interessante é que lendo um dos best sellers sobre educação no Brasil, "Quem ama, educa" emprestado por uma cunhada, Içami Tiba fala sobre uma casa democrática, onde os filhos podem também ter um papel decisivo em questões, desde que eles saibam mais sobre elas. Por exemplo, tecnologia. Não faz sentido o pai ou mãe escolherem sobre o computador ou a internet, se o filho pesquisa mais e sabe muito mais a respeito. Resguardado, claro, a questão financeira. Mas isto pode se tornar um debate, e as partes podem chegar juntas à melhor decisão, o tal melhor custo x benefício. Isto me parece uma boa dica e uma forma harmônica de educar. Muito diferente do principezinho mandar e desmandar, ou do rei ou rainha mandar e o príncipe sempre calar a boca. Mas parece que as pessoas leram e não absorveram esta parte do livro.
Pois é, por todos os lados que eu vejo, esta associação com monarquia me parece ruim. Opa, abro uma exceção para as alusões ao príncipe do livro "O pequeno príncipe" pois este fala sobre a necessidade de se manter a criança sonhadora dentro dos adultos, as amizades, e outras coisas essenciais e "invisíveis aos olhos" em nossa vida. O príncipe no caso é príncipe só de seu mundo particular, e sai humildemente pelo universo a conhecer e aprender com os mais variados tipos de seres e situações.
Mas em tempo de tantos príncipes, prefiro que nosso filho seja um macaquinho. Em minha adolescência minha mãe descobriu os signos chineses e nos deu livros sobre os nossos. Eu adorei ser macaco. Debochado, brincalhão. Sempre gostei de macacos, e achei o máximo este ser meu signo. Neste caso, filho de macaca, macaco será. Por uma dessas maluquices da vida, acabei indo morar no meio da maior floresta do mundo, de onde vieram meus pais e avós, e lá acabou sendo gerado nosso filho. Inicialmente quando pensei no tema para chá de bebê e para enfeite de porta não me passou pela cabeça esta associação, mas agradeço à minha amiga Marion por me lembrar de mais um motivo para que eu fuja das coroas e prefira as árvores e os macacos para recepcionar meu filho, que nascerá de uma mistura bem brasileira, com muito orgulho.

25 de jun de 2015

Os dindos!

Fui eu que escolhi? Lembro de ter ouvido o papai falar sobre um possível diálogo futuro com o cunhado, em que ele citava o Caio. Era algo sobre ter faltado a um compromisso. "Não tenho culpa cunha, seu afilhado ficou doente e não conseguimos dormir!"
Este cenário dos muitos que chegamos a montar e imaginar para nossa vida com filho foi relatado antes mesmo que falássemos sobre escolha de padrinhos. A escolha já tinha me passado pela cabeça e parecia natural. E vi então que isto não acontecia só comigo. Gera ciúme na família escolher um dos tios, claro, mas gera também entre amigos e parentes escolher um outro casal de amigos.
Mas porque a escolha parecia tão natural? Talvez por Elaine e Yan, além de serem pessoas tão especiais para nós, serem pais de uma das crianças mais meigas e educadas que conhecemos. Ora, se os padrinhos são os que cuidarão do filho em sua ausência, qual a melhor escolha além daqueles que já demonstram diariamente saber amar educando?
Puxa saco do sobrinho ou tia coruja, podem pensar. Mas esta opinião sobre meu afilhado vem de muita gente que o conhece, até mesmo por pouco tempo. Ter sido já escolhida para madrinha não foi pesado neste caso como obrigação de fazer o mesmo, só gerou uma situação divertida, de dupla "comaradagem" - comadre de lá, comadre de cá.
Posses ou situação econômica são tão volúveis e mudam tanto, que o motivo algumas vezes pensado para esta escolha, "estabilidade" nunca passou por minha cabeça.
Nada contra quem dá múltiplos padrinhos para não gerar ciúme, ou para assegurar que o filho tenha sempre um porto seguro, ou sei lá por qual motivo, mas se justamente é uma escolha para um talvez futuro que não queremos pensar, da falta dos pais, mesmo que temporária, penso que pode gerar mais confusão tantos padrinhos. Diferente de padrinhos de casamento, que são pensados como um suporte ao casal, e neste caso podem haver muitos e muitas. O que estiver disponível para aguentar as xurumelas. Em ambos os casos também se conta o apoio já dado ao casal e a clareza, a maturidade de vida para futuros conselhos. De você eu aceito conselho, pode ser meu padrinho. De vocês, dindos, eu aceito conselhos para o meu filho. Sei que virão desinteressados, querendo sempre o melhor para a família. Isso não significa não ouvir outros parentes e amigos, ou nunca deixar a criança ser cuidada por outra pessoa.
Escolher os padrinhos, é, também, um exercício de adivinhação. Com quem meu filho terá mais afinidade, quem ele escutará? Pois você está escolhendo uma relação futura para ele, antes mesmo do seu nascimento.
No meu caso, mesmo grande parte das duas famílias sendo muito religiosa, o apadrinhamento será "apenas" um acordo tácito, sem batizar a criança em algo que ela não entende, não compreende e não será de forma alguma obrigada a seguir. Este tipo de adivinhação prefiro não fazer.De um casamento sem padre ou pastor, não faz sentido um apadrinhamento com igreja.
Ser chamada de dinda por uma criança tão especial me dá sempre uma grande alegria. Esta abreviação é das mais meigas e fofas, se está certa eu não sei e não importa. Espero poder fazer com que pessoas especiais sintam um pouco esta alegria também.

22 de jun de 2015

Ai, que sono!, Ai que dor, ai que saco! :-/

Falei antes em comentário de um post, que ao saber da previsão de peso do Caio ao nascer me assustei e pensei logo em cesariana. Depois em conversa com outros médicos e em outros ultrassons o peso previsto continuou o mesmo, mas me esclareceram estar totalmente dentro da normalidade o peso de 3,5 kg. As leituras sobre os procedimentos e o pós operatório da cesárea me fizeram ter mais medo desta do que do parto normal. Antes sofrer dores durante algumas horas em um trabalho de parto do que durante semanas em um pós operatório de uma cirurgia onde sete camadas são cortadas. Ai!
O novo médico e a política da maternidade de sempre fazer o melhor para a saúde da mãe e do bebê também me convenceram. Sei que se tiver problemas durante o parto normal o procedimento será fazer a cesárea.
A gente espera sempre, de qualquer forma, não ter tanta dor, não ter trabalho de parto de 10 a 15 horas, mas também não ter o tal rompimento da bolsa sem contrações, que dizem poder apresentar risco de infecção para o bebê, que perde sua proteção sem a bolsa.
Amanhã farei a última consulta, assim se espera, pois já se completaram as 39 semanas. E serei pesada novamente. Nas últimas duas semanas o peso segundo minha balança não muito confiável aumentou 2 quilos! Eu e o Caio engordamos, eu mais agora.E com o peso extra dos dois vem mais dor de coluna, mais azia, mais dor na bexiga, costela, mais cansaço e mais sono. Ficar sentada dói a costela. Ficar em pé dói e incha a perna. Não comer dá azia, comer muito dá refluxo. Também começo a pensar que algumas mães preferem a cesárea pois costuma ser feita por aqui com 36 a 38 semanas, e elas não precisam passar por estes últimos dias. Se não se pode fazer muito vem o tédio, e a maior expectativa e ansiedade.
E aí já se passou a tal vontade de fazer tudo para esperar o bebê, e você já passou as roupas, os cueiros,fronhas, lençóis e mantas, já arrumou os protetores de berço, já leu tudo sobre recém nascidos na Bíblia do Bebê. Já preparou as malas da maternidade. Já brincou que ele estava esperando a frente fria passar, a vovó chegar para ajudar, ou presente da madrinha chegar pelo correio. E tudo já chegou. Agora então, vamos brincar que ele está a esperar a última consulta e as 41 semanas. Os apressados amigos e titios e papais podem deixar para ficar ansiosos depois das 41 semanas. E a mamãe de barriga de melancia pode caprichar no hidratante e no remédio de azia que eu vou crescer aqui no quentinho aconchegante até quando eu puder. Blé!

19 de jun de 2015

Balão de pé

Estava quase passando a gravidez sem dois sintomas chatos. O vômito e o inchaço. Não deu. Uma noite destas o refluxo e enjoo foram maiores que o normal e veio vômito. O pé ninguém percebe pois está frio e estou sempre de sapatos fechados, mas viraram uns balões, principalmente o da direita. Imagino se estivesse quente! Pronto, grávidas inchadas não precisam me invejar. Olha o pé-balão de São João!

O Chá de bebê - ou chás de bebê

Por algum tempo pensei se faria ou não, se valeria a pena fazer um chá de bebê. Não tenho patrocínio (pai-trocínio ou mãe-trocínio), Caio não terá dindos ricos que pudessem bancar, e mesmo que tivesse, não sei se aceitaria, pois gostaria de participar da decoração e planejamento que pra mim são das coisas divertidas de se fazer festa. Dar pitaco em presente é muita folga. Cavalo dado não se olha os dentes, como diriam.
Aí colocando na ponta do lápis, de forma prática, quanto se gasta para fazer uma festa e quanto se ganha de fraldas, às vezes não parecia valer a pena financeira e praticamente falando. O chá de fralda antes da mudança seria inviável, pois não teríamos como trazer as fraldas na mudança diminuta que veio em malas no avião e dentro de um Clio Campus Hatch. Pensei em fazer um chá de bebê de roupas, pois estas se dobra e se traz em qualquer espacinho. Mas sem saber se haveria ou não mudança, achei melhor deixar para o fim da gestação. Sabendo onde nasceria o bebê, poderíamos planejar as outras coisas. O quarto, as roupas (de inverno ou de verão), e o chá. Muitos dizem ser ideal já ter um barrigão para posar nas fotos, ou para fazer aquelas brincadeiras de pintar barriga.
Uma coisa eu sabia que não queria. Brincadeiras de pintar a barriga. Trocar fralda de boneco, fazer o papai e os convidados participar de joguinhos acachapantes e supostamente divertidos. Uma amiga me informou que isto é influência americana. Parece mesmo humor americano isto de pintar, fazer os outros passar vergonha. Lembra "brincadeiras" de jogar torta, e humores "clown" os quais nunca gostei. Queria uma festa de meninos e meninas, sem separar casais.
Como quem tem amigos tem tudo, recebemos um chá de bebê surpresa. Só papai estava presente, mas os amigos não queriam deixar passar. Era pra ser uma festa de despedida básica, que o grupo de amigos por lá faz todo fim de semana e feriado. Churrasquinho e bebidinhas. Chegando lá papai é surpreendido com bolo de fraldas, decoração de roupinhas e meias azuis, carrinhos e balões. Painel de recados e vaquinha para comprar fraldas. A vaquinha foi tão farta que compramos um berço pelo valor! Rolou chororô e abraço coletivo. Eu à distância me emocionei só de ver as fotos.
Acho que isto me deu mais vontade de fazer um por aqui também, já instalados e querendo reunir os amigos para conhecer a casa. Podendo pedir fralda pois teríamos grandes armários para guardar. Lá foi despedida e chá de bebê; aqui seria uma inauguração e chá de bebê, festas multi função! Deixei as contas práticas um pouco de lado, e mesmo que financeiramente não fosse tão atrativo, valia para reunir uma primeira vez amigos na casa nova.
Uma amiga fez o grupo de discussão e assim que foi decidido o tema, já tinha símbolo e banner de evento. Também de presente vindo da dinda de casamento e profissional com mais de 10 anos de atuação, Fran Lima. Já falei que quem tem amigos tem tudo? A dinda do Caio levou para comprar as coisas da festa, sem contar com as tantas dicas de fornecedores. Papai se responsabilizou pelo prato principal (delícia!) e a família Lima deu uma boa ajuda na decoração, contando com enchimento de cerca de 100 balões em mais ou menos uma hora! Acho que é um recorde!

17 de jun de 2015

Tchau Vovô

No dia primeiro de Abril deste ano Vovô do Caio pregou sua última peça, e foi embora desta vida de forma repentina, sem avisar, que ele não era homem de pedir autorização pra nada. Desbravador, trazia no sangue o espírito dos antepassados italianos que saíram de tão longe para buscar uma vida melhor, e ele mesmo saiu tantas vezes e de tantos lugares para novas vidas, novos rumos. O mais incrível disto é que eu era admirada pelo sogro. Ora vejam, são destas coisas que fazem a gente ficar encabulada, pois sabe ser bem menos que o admirador, merecer menos admiração do que quem admira.
Apesar de toda a criação rígida que recebeu e deu aos filhos no começo, ele era um desafio à nossa ideia preconceituosa de que velhos turrões não mudam, não perdoam, não dão mais chances depois de erros e descaminhos. Como era bonito de ver ele ouvir e perguntar ao filho sobre política, economia, futebol. Para homens antigos, com dificuldade para demonstrar sentimentos fisicamente, o amor se demonstra muitas vezes em ouvir e respeitar. Mesmo tendo muito mais vivência, era sábio o suficiente para enxergar nos outros a sabedoria que os estudos também podem trazer. E mesmo vindo da roça, ajudou o filho a estudar por muitos anos, e reconhecia na profissão de professor uma grande honra.
Vovô foi o primeiro a saber da possível vinda do Caio, depois do papai, claro. E ficou feliz de gargalhar. Depois recebeu nossa visita com o Caio já maior dentro da barriga, e ele ouviu lá de dentro esta gargalhada famosa, e a voz do vovô Severgnini.
Quando recebi a notícia inesperada uma das primeiras coisas que me fez triste foi saber que o Caio, assim como eu, não teria Vovô. E depois me consolei, com o fato de ao menos o vovô ter tido a alegria de saber de mais um neto antes de ir. Fomos ao velório e enterro, mais para apoio moral à família, segurar na hora da despedida final, quando as pernas tremem e os olhos turvam. A despedida a gente fez depois, calmamente demos nosso tchau sozinhos. Papai foi tão firme que soube consolar a família à distância, pois estava longe longe, ainda no caminho da agora antiga casa para resolver as últimas coisas da mudança. Nunca saberei como é passar por isso à distância, mas também ele pôde se despedir depois, do jeito dele, calmamente. Nunca são suficientes as despedidas, e nunca se preenche o vazio que os pais deixam. A vida para quem fica também é outra, menos colorida. Mas o Caio vai ouvir ainda muitas histórias deste Vovô serelepe, e sem saber, conhecer muito dele através do pai, ou quem sabe, dele mesmo. Tchau Vovô, sentiremos muito sua falta.

16 de jun de 2015

Panos, cueiros, fraldas e afins

Nunca vi nos tantos sites e blogs sobre maternidade e bebês algo sobre as definições de tantos panos pedidos e sugeridos nos enxovais. É pano de boca, fralda de boca, fralda de pano, cueiro, toalha de boca, toalha com capuz, manta. Mas e aí, o que define e qual a diferença entre elas? Tamanho, tecido, grossura? O tecido em todos os lugares se sugere algodão para tudo que for de bebê, ou outros tecidos naturais, lã se for frio, por exemplo. Então por isso não conseguiria diferenciar. Tentei no "Sr. Sabe Tudo" Google aquelas pesquisas "cueiro x fralda", "manta x cueiro", ou definição:cueiro, mas em nenhuma se diz a medida ou a diferença entre os panos. Também tem definições erradas, dizendo que cueiro serve para enrolar quadril e perna. Alguém já viu um bebê recém nascido só com quadril e perna enrolado? Ele é todo enrolado, só sobra pescoço e cabeça de fora.
Minha primeira dúvida era se cueiro e fralda de pano não eram a mesma coisa. Nenhum dos dois serve (ao menos não mais é usado) para tampar o bumbum, mas os dois nos remetem a esta mesma parte do corpo, seja pelo nome, seja pela tradição. Depois, pano de boca e fralda de boca, seriam a mesma coisa? E a manta e o cobertor, qual a diferença?
Acho que as mamães sempre tem avós ou outras mamães por perto para mostrar, este é o cueiro, esta é a manta. E foi assim que me mostrou a dinda do Caio, mas já no fim da gravidez. Antes tarde do que nunca.
Resolvi ajudar as mamães de primeira viagem que podem estar confusas tanto quanto eu estava, e medi os panos e anotei as diferenças.

Fralda de pano - ganhei inúmeras destas. Parecem mesmo as fraldas antigas (acredito que poderiam ser usadas da forma convencional de fralda, se alguém tiver paciência para lavar) medem 50 x 60 cm a 52 x 63 cm, as que eu tenho. São de um tecido de algodão bem fino, quase translúcido quando posto contra o sol. Estas tem inúmeras utilidades, desde brincar de esconde esconde com o bebê, passando por secar do banho em dias quentes e limpar qualquer coisa do bebê, indo até cobrir o bilau do bebê menino enquanto troca a fralda, para que ele não faça xixi em seu rosto.

Fralda de boca - Acredito que seja a mesma coisa que fralda de pano, mas como ela é usada hoje mais para limpar golfadas, vômitos, babas, e outras sujeiras que saem da boca, resolveram adotar este nome.

Pano de boca - Este quando pedem ainda não sei se falam da mesma coisa que fralda de boca e fralda de pano, mas acredito que sejam uns menores e mais grossos, pois em uma embalagem que comprei estava escrito Pano de boca. Era um quadrado de algodão felpudo e mais grosso medindo 29 cm. Parece um pouco com flanelas de limpeza, daquelas mais grossas. Também ganhei uns de 32 cm quadrados e de 36 x 27,5 cm, um pouco mais finos.

Toalha de boca - estas que eu ganhei são as toalhas de toucador, como diriam os antigos, ou toalhas de mão, tipo aquelas usadas na academia, tecido de toalha mesmo, mas nas versões para bebês são bordadas em geral. As que eu ganhei tem 28 x 48 cm. Servem para a mesma coisa que o pano de boca.

Cueiro - Os que eu tenho medem 75 x 63 cm. São de algodão mais grosso, geralmente os dois lados da mesma cor, bem simples. São usados por baixo das mantas para enrolar o bebê nos lugares mais frios, ou sozinhos. Tem uns tecidos mais finos para lugares mais quentes também, mas eles nunca serão tão finos quanto a fralda, pois o objetivo é proteger e apertar um pouco o bebê, para ele se sentir como no útero da mãe. Apesar do nome enrolam o bebê todo.

Manta - São um pouco maiores que o cueiro, as minhas tem 80 x 80 cm e 80 x 90 cm, são também mais grossas e podem ter dupla face, forradas, para ficar mais quente. Porém são mais finas e menores que um cobertor de bebê.

Toalha com capuz - Esta é mais fácil. Toalha um pouco menor que as convencionais, e com capuz para ajudar a secar a cabeça.

15 de jun de 2015

Ensaio fotográfico


Quem tem amigos tem tudo. Eu tive um super ensaio fotográfico de presente com direito a fotos em máquina profissional tiradas por jornalista e auxiliar de produção de luxo, engenheira doutoranda em química - tá bom, não é exatamente da área, mas pode se dar créditos na área pelas aulas, trabalhos e congressos de Design que ela participou. Até hoje deve ter gente achando que ela é Designer. Colaborou com muitas ideias para fotos, make e roupa. Tirando a parte difícil de modelo, de fazer pose e sorrir, mesmo sentada ou deitada na areia molhada no gelado pôr do sol de um outono em Florianópolis, foi divertido passar a tarde com as amigas em uma paisagem tão bonita.

Gravidez tranquila, vida agitada

Estes dias caiu nas minhas mãos uma reportagem sobre grandes mudanças de vida, os prós e os contras, e os percalços de quem decide fazê-las, inclusive os gastos e desgastes financeiros e emocionais. Mudar de cidade e ter um filho estavam entre elas. E lendo isto me toquei. Nossa, foram duas grandes mudanças ao mesmo tempo. O filho na barriga e as arrumações para a mudança. Por ser uma distância muito grande e impossível de ser percorrida de carro, foi uma mudança pouco convencional, pois não implicou em tantas caixas (apesar de umas tantas que vieram de balsa junto com o carro), mas sim em muitos gastos, e na venda de móveis usados para a compra de novos. O desgaste ficou por conta da correria, da impossibilidade de me despedir de tantas pessoas que se tornaram tão queridas, e das coisas -ainda - não resolvidas deixadas pra trás. Além do tempo sendo visita na casa de parentes, as roupas na mala e o incômodo de se tornar incômoda.
Ainda bem que no meio de toda esta mudança, o meu corpo, que mudava também para que o Caio crescesse nele, foi até bem camarada. Ou eu consegui ser camarada com ele. Agora, já no último mês (quando você quiser sair, Caio:) engordei no total 11 quilos. Algum inchaço na perna e dores ocasionais, além da azia, que teve um grande alívio também graças as minhas novas "balas" ou hidróxido de alumínio mastigável. Esta é no geral minha lista de "sintomas", sem contar a óbvia dificuldade de abaixar e levantar, sendo que isto deve ocorrer com qualquer pessoa que tenha uma barriga desse tamanho!
Claro que esta tranquilidade também se deve muito ao papai do Caio, que ajuda na limpeza, no carinho, nos cuidados, na alimentação.

27 de abr de 2015

Esquecida, eu?

Já comentei, não se se aqui, o quanto admiro as grávidas que continuam trabalhando. Eu gostaria de estar trabalhando quando engravidei, claro, mas eu fico pensando nos enjoos, na hiper sensibilidade, e nos tantos outros sintomas que não combinam em nada com o mundo corporativo. Por exemplo, a dificuldade de concentração e o sono.
Todos me perguntam do enjoo, sempre associado aos vômitos. Eu tive muito enjoo sem vômito no começo, mas não deixava de ser desagradável.
Além disso, tive uma certa sensibilidade exagerada e bastante sono nos primeiros meses. Agora é mais cansaço e dor nas costas e nas pernas pelo peso extra ganho em um ponto só do corpo. A dificuldade de concentração sempre esteve comigo,como parte da personalidade, mas costumava conseguir administrar, principalmente quando eu me focava em um trabalho mais elaborado ou mais prazeroso. Esta dificuldade pareceu também aumentada, e fico pensando como seria trabalhar nestas condições, ainda mais os trabalhos de escritório que fazia, que exigiam concentração para lidar com muitos dados e clientes. Nunca saberei se foram os eventos e destino incerto comentado no outro post que fizeram a dificuldade de concentração piorar, ou se foi a dificuldade de foco que piorou a realização de planos com clareza. No fim estabeleci como prioridade os planejamentos de consultas pré natais e exames, e os outros ficaram meio embolados, mas se caminha. Alguns dias eu parecia ter agilidade e clareza até maiores que o comum, e talvez estes compensassem. Algumas vezes situações tristes e imprevisíveis me fizeram ter atitude mais certeira, costumo ter mais tranquilidade para ação em momentos extremos.
Apesar dos percalços e das dificuldades, psicológicas ou reais, já temos uma casa com alguns móveis e utensílios, também graças a ajuda de muitos. Para ser um lar faltam poucas coisas, como internet rápida. O Caio não falta, pois está sempre comigo. Isto dá mais base e faz todo o resto mais fácil.

Esta pesquisa também me ajudou a ficar mais tranquila. Ficamos esquecidas para depois ficar mais espertas!

23 de abr de 2015

Viajando com barrigão. Esse aqui ó!

Por mais que eu ache a barriga enorme desde o quinto mês, ainda semana passada ouvi dizerem que não se nota que eu estou grávida dependendo da roupa ou do ângulo. Porque só engordei 8 quilos.Talvez também porque os seios estão quase do tamanho da barriga. Aí com as roupas que não marcam, eu pareça alguém bem inchada. Fato é que ainda tenho de apontar a barriga para me darem acesso a filas e senhas preferenciais e completo este fim de semana o sétimo mês. Mas não tenho nenhum tamanho diminuto de ventre grávido. A gestação é das mais saudáveis e sem percalços, o tamanho da barriga tem sido medido pelos médicos, e as semanas correspondem certo aos centímetros da barriga medida verticalmente. (Este dado curioso também só vim a aprender agora). Bom porque não vou precisar passar fome para voltar ao peso anterior. Mal porque eu queria ter o mimo do "especial" sem precisar ser explícita, e porque a barriga pesa mesmo, já sinto pernas doloridas e cólicas depois de muito tempo em pé.
Talvez por este motivo não tenha sido pedido o meu atestado quando embarquei em Manaus e nem em nenhuma das conexões: Brasília e São Paulo até chegar a Florianópolis.
Pedi ao meu médico de Manaus atestado para viagem, ele me deu até dia 10 de Abril, pois se não desse certo a mudança provisória eu voltaria até dia 31 de Março. Esta pequena novela que se instaurou em nossas vidas em um momento tão delicado poderia ser tema de outro post, ou posts. Não sei se eu teria paciência e vontade de reviver isto para escrever. Para resumir, uma decisão que não dependia de nós foi adiada duas vezes por 3 meses, e fez com que nossos planos ficassem em suspenso. Ou melhor, fez com que tivéssemos dois planos, dependendo da decisão favorável ou não.
Antes da viagem já estava sentindo um cansaço um pouco maior que o comum ao ficar muito tempo em uma posição, por isso apelei para a meia calça leve compressão, imaginando que teria dificuldade, pois nunca me dei bem com meia calça. Era daquelas para quais meia calça é praticamente descartável, pois se rasga no primeiro uso. Mas o material reforçado destas deixou o uso bem fácil, e não senti tanto calor quanto pensei. Foi um dia nublado o da viagem de carro até Manaus - ufa. Talvez o fato de ter várias conexões no vôo tenha facilitado as pernas, pois tinha que levantar e andar, mais do que faria se estivesse em um avião só. E também não precisei ir tanto ao banheiro apertado do avião. O cansaço geral foi bem grande depois, mas as pernas não estavam pesadas.
A azia estava em seu auge (os dias em que mais senti até agora), e os lanches de carboidratos baratos do avião - pão, bolinho e afins, não ajudaram muito. As poucas maçãs que levei salvaram algumas horas da viagem.
Percebemos que o Caio não gostava de curvas nas estrada, nem de turbulência no avião, e imaginamos o mesmo tentando se segurar no cordão umbilical e escorregando. Deve ser realmente uma sensação nada agradável, e ele reagia com batidinhas e mexidas bruscas. Achei que teria mais problema com a pressurização e despressurização, mas ele só reclamou durante a turbulência, que na saída de Manaus durou cerca de uma hora.
No novo aeroporto de Brasília, ajudaram muito as novas esteiras, pois nosso embarque era bem longe e andar naquele piso escorregadio não é muito agradável.
No geral foi uma viagem bem tranquila mesmo com a correria antes do embarque. Com direito a pneu furado na estrada e táxi atrasado. Manter a calma foi essencial, e deu tudo certo.

6 de mar de 2015

Ai que fome!


A fome começa a aumentar junto com o bebê, ou o contrário, não sei o que vem primeiro. Me pego devorando pratos cheios que antes eu nunca conseguiria terminar. Se antes ficava saciada com certa quantidade, agora parece que falta um pouco, algo mais. É a parte do Caio, eu digo, melindrosa. Mas na verdade a parte dele é a primeira, a natureza trabalha para manter a vida mais frágil. A mamãe se vira. Mas este Caio anda muito comilão! Talvez por isso já tenha previsão de nascer com cerca de três quilos e meio (cesariana, aí vou eu).
Outras mamães, principalmente as de meninos, me dizem que esta fome desproporcional é normal. Só é preciso cuidar, pois agora é a fase onde mais grávidas engordam acima do aconselhado. E também porque grandes porções de alimentos ingeridos de uma só vez aumentam a azia, que já tem me pegado todos os dias.

28 de fev de 2015

Muitos Caios

Esta postagem não é sobre o quão comum pode ser o nome escolhido ou sobre os Caios já presentes no mundo. É sobre a curiosidade quanto aos possíveis aspectos físicos e as personalidades de uma pessoa em formação. Se fossem dois pais mais parecidos na aparência as dúvidas talvez não fossem tantas para lidar. Em alguns aspectos - peso e altura - somos até parecidos, mas acho que as semelhanças físicas acabam aí. Eu sempre fui morena, o pai é branco, nasceu loiro, ficou meio ruivo e depois castanho. Isto contando apenas a primeira ascendência da criança. Tem os avôs e avós e suas características distintas a computar. E tem as personalidades variadas de todas estas pessoas de origem e cultura também diferentes.
Sendo a personalidade algo tão único de cada ser, parecendo às vezes não vir de lugar algum ("A quem este menino puxou, meu Deus?") nem me aventuro tanto nestas especulações. A curiosidade acaba indo justamente para os pontos mais diferentes entre os pais, e as vezes banais, como o formato das mãos - as minhas longas e finas, as do pai dedos curtos e fortes.
Alguns podem dizer que já existem ultrassons 3D, para os papais que não aguentam de curiosidade. Mas crianças mudam muito desde que nascem inchadas feito joelho batido na quina, até crescerem e se desenvolverem (vide histórico de cabelos do papai). Então ficamos curtindo este jogo de adivinhação sem compromisso. Claro que para os pais, quaisquer que sejam as características, ele será sempre lindo.

25 de fev de 2015

Friozinhos na barriga



Alguns já sentem o primeiro ao saber da gravidez. Para mim foi bem mais pavor do que friozinho, então não conta. Agora com 5 meses de gravidez, barriga proeminente, vemos no ultrassom morfológico o Caio chupando dedo, apertado lá dentro do útero, com muitos órgãos formados ou em formação. Já parece bastante com um bebê em menores proporções. Sabemos pela internet que prematuros com este tempo de gestação tem chance de sobreviver se tiver uma boa UTI neonatal e boa equipe. Neste ponto o friozinho na barriga é duplo. Por saber que mais da metade do caminho até o parto já foi percorrido, e por saber que não há boa UTI neonatal à menos de 270 km de distância.
Às vezes é bom ficar um tempo longe de tanta informação online sobre a gravidez, mesmo as de boa procedência. Há sempre sintomas de risco parecidos com os comuns de grávida, diferenciando destes somente pela duração ou intensidade, confundindo e abalando as mamães de primeira viagem, gerando friozinhos desnecessários.
Sabido, porém, que estes da gestação são somente um treinamento. Depois de ter um serzinho no mundo, estes frios na barriga serão constantes. Se o bebê bater a cabeça, cair no chão, engatinhar para perto da tomada ou objeto cortante. Se engasgando, botando tudo na boca, tendo febre. Depois a criança caminhando para as quinas dos móveis, andando de bicicleta, skate, patinete. Indo para a escola, brigando, sofrendo bullying. E assim por diante, em qualidade e quantidade tais que nem ouso adivinhar. Eu costumava gostar de montanha russa, mas acho que não vou precisar mais.

Créditos da imagem: Yris Tanaka - Erika em "Friozinho na Barriga". Portfólio em www.behance.net/yristanaka

18 de fev de 2015

E tome ferro!

É estranho não estar, não se sentir doente, e estar tomando soro na veia junto com idosos e recém operados no posto de saúde. Nos exames a hemoglobina não está baixa, só os hematócritos. Se tivesse acesso fácil a mais médicos faria outras consultas antes de tomar o Combiron venoso. Se não fossem minhas olheiras e a barriga, além da receita médica, deveria passar por hipocondríaca. É bem tedioso ficar lá. Era pra ser meia hora, mas deve ser difícil calcular tão pontualmente a rapidez da passagem do soro, e acabei ficando de 45 minutos à uma hora no posto. Nestes dias estava sem internet no celular. No primeiro dia tinha mais funcionários para conversar, e por ter demorado mais que o esperado, ganhei também a companhia do maridão por uns minutos. A segunda dose tive de tomar na segunda de carnaval. Posto em sistema de plantão, quase vazio. Fiquei sozinha por um tempo, apanhando do Candy Crush Soda Saga, que me deixa várias rodadas na mesma fase (eita falta de talento para jogos!). Às vezes passava um funcionário pela sala, me olhava com aquela cara entre pena e incentivo, e eu devia responder com cara de dúvida e enfado, mentalmente falando: Não estou doente, não precisa ter pena ou demonstrar empatia, mas obrigada. Ainda estão prescritas mais três aplicações. E tome ferro!

Glub, glub

Enfim encontrado um maiô para grávidas. Na cidade não encontrei. Ia apelar para um maiô grande, mesmo com medo dele não caber mais depois de um tempo, ou desgastar muito rapidamente na barriga . Mas a loja de esportes não deixava experimentar maiô, mesmo com roupa de baixo. Perdeu a cliente. E tive de apelar novamente para a loja especializada e cara na capital. O maiô até foi um bom preço, ufa, posso tomar um banho de rio novamente. Não conseguia usar nem mesmo as partes de baixo dos biquínis (as partes de cima já tinham sido perdidas depois do aumento de 4 números no sutiã). Talvez seja mania minha, aumentada pelo incômodo no quadril que vinha sentindo, mas roupas apertadas nunca me agradaram.
Agora também pude voltar à natação, voltar ao meio aquático. Estar em um ambiente parecido ao do bebê na barriga. Ele deve achar bom. Se puder e tiver condições quero que ele nade desde bebê.

Cadê o umbigo que estava aqui

Ainda sobre as transformações no corpo, muito mais sentidas a partir do segundo trimestre. O corpo já está me treinando a brincar de esconder, brincadeira das preferidas dos bebês. Já não vejo o umbigo sem me contorcer e esticar um pouco a pele da barriga. Coluna ereta e olhando para baixo também já não vejo os pés. Depilar agora é uma questão de tato.
Muito cuidado ao abaixar e levantar.Lições do balé da infância tem de ser lembradas nestas horas. Descer e subir de coluna ereta, pé firme no chão. Desta vez não é a professora reclamando, é a pontada no baixo ventre. Para dormir estava experimentando incômodo no quadril. Descobri de tratar da dor pélvica, que pode se irradiar para as nádegas e é bem comum também. Culpa do peso extra na bacia. O meu caso nem poderia chamar de dor, era uma dormência e formigamento. Foi resolvido dando um apoio à barriga, que já chamamos de colchão do Caio, pois é uma pequena e fina almofada bem embaixo da barriga quando durmo de lado. Preciosas dicas da internet.

13 de fev de 2015

Tum, tum

Estava triste mesmo. Escrevi como se fosse por besteira, disfarcei. Na verdade o fato de não estar com a saúde como deveria me deixa triste por pensar que não estou conseguindo cuidar do bebê na barriga. Mas tentei falar de forma leve, não queria deixar mais árduo o peso. Tristeza também por não estar conseguindo deixar o peso mais brando e não conseguir ficar sem me preocupar. Triste por estas situações de espera onde não se pode fazer muito além de ter paciência. E tenho a péssima tendência de parar quando entristeço. Nada produtivo.
Mas uma outra situação de espera me fez feliz. Pela primeira vez senti o toque do Caio depois de eu chamar. Oi Caio, você está aí? Tum tum na barriga. Que emocionante. O Caio já é um ser que me faz feliz só por existir. Digo ser e não pessoa, pois tem também o Zinga e a Belinha nesta lista. Tem a família, os amigos, e Luís, o papai. Que além de tudo me deu este presente que eu carrego. E pensei. Como posso estar triste com tantos presentes, com tanto que recebo. Obrigada Caio, você me fez feliz por conversar comigo hoje.
Isto me fez pensar na frase do Pequeno Príncipe, ops, da Raposa: "Te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas." Se já cativamos a família ao nascer, já nascemos então com responsabilidade sobre ela. Nunca tinha visto por este ângulo. Parece pesado imputar esta responsabilidade à um bebê. Ele não fez nada para cativar, cativou por existir. (Mas não são estes os sentimentos mais sinceros? Que surgem naturalmente?) Um dia a criança aprende que esta é a melhor responsabilidade do mundo, mas é para poucos. Espero que ele consiga ser mais responsável que eu.
Depois da conversa com o Caio tudo ficou mais leve mesmo. Tudo vai dar certo, eu ouvi. Estou feliz por você existir, respondi.