13 de set. de 2025

faz favor né


Princesa é sua sobrinha!

Não gosto de monarquia


Mas se insiste na alegoria

Com certeza sou rainha

12 de set. de 2025

como eu sou como eu me sinto - tô em app e não minto

toda remendada,

requenguela,

requentada,


toda desmiolada,

desmedida,

ressentida


quem vai querer?, 

não tá vendida!


toda encantada,

exagerada,

imprevista


toda inventada

mas real 

esquisita


quem vai querer?

é enrolado,

mas tem vista


posta a foto de biquíni

de revista

na vitrine


toda construída,

criticista

humorista


quem vai querer

peça única 

compra à prazo ou à vista



4 de set. de 2025

Por fora, bela viola...

 Eu falei que não ia contar

Mas eu tenho a língua solta

vou fazer só uma conta de idade aqui para entender


Se eu tenho 44 com cara de 35 e condições de saúde de 70 

O meu 44 deve ser a média de 

35 de cara + 

70  de saúde + 

27 de idade mental / 3

Agora faz sentido

3 de set. de 2025

Chicos são os Bobs do Brasil

Porque tem quase tanto Bob legal quanto Chico bacana!

Chico Buarque, Chico Anysio,  Chico Bento, Chico Science,  Xico Sá...

Bob Marley, Bob Dylan, Sponge Bob, Bobby McFerrin, Bob Moses...

testes de perfil ABCDEFG HIJK LMNOP QRSTUV WXYZ

Gosto de ver filmes de coisas impossíveis e séries de coisas já passadas. Ou o contrário. Escrever poemas pobres de rimas tortas e prosa de chocolate. Tirar fotos aleatórias do formato das sombras e de pequenas luzes do cotidiano nas cenas. Tomar café com podcast e sem açúcar. Cantar alto no meio de uma tarde de quarta só porque eu posso.


Gosto de ver possíveis passados e séries de filmes impossíveis.  Pelo contrário! Escrever rimas de chocolate e pobres prosas tortas. Tirar fotos dos formatos de pequenas luzes nas sombras do cotidiano das cenas aleatórias. Tomar podcast sem açúcar com café. Poder só cantar no meio de uma tarde alta de quarta. 


Gosto de impossíveis passados em filmes e séries já passadas. Tá tudo ao contrário? Escrever poemas de prosas tortas de rimas de chocolate. Tirar fotos de pequenas cenas cotidianas de sombras e luzes de formatos aleatórios. Açúcar, mas sem café, e podcast amargo. Quartar com alto canto no meio da tarde. 


Gosto de filmes do passado e tortas de chocolate. E séries de coisas impossíveis e rimas tortas e prosa de coisas do passado e muito ao contrário também, escrever! Podcast de foto de café com luzes do cotidiano aleatório e sombras pequenas das cenas com formatos . Poder uma tarde de canto altas de uma quarta só. 

minha pequena revolta inexata

Só não sou mais artista

porque tem aritmética

nas notas musicais


tem que fazer proporção

menos e mais na fotografia

sem contar a geometria


proporções e cálculos

contar sílaba na poesia


digo que minha escrita é moderna

para não ter arritmia 


para não fazer conta

para fugir das exatas

e continuar nas tontas


não vou contar sílaba tônica

22 de ago. de 2025

tudo normal dentro do caos

Guenta, que estou aqui, 

ouvindo jornal, 

enviando email e 

falando contigo


Guenta aí, pois preciso

resolver o almoço

me preocupar com os boy

e saber se invisto


Espera! ainda preciso,

responder a professora

o grupo da escola

cobrar o orçamento do vidro


Eita, esqueci da conta

qual pagar, quanto vai dar

deixo render ou retiro


Espera, hoje é sexta

vou sair, pagar babá

ou me contentar com a pizza



21 de ago. de 2025

ai que paz, ai que silêncio

 ai que paz, ai que silêncio. 

filho na escola, pet no banho 🧘🏽‍♀️

parece tão fácil trabalhar, que nem tento


ai que paz, ai que silêncio

uma casa sozinha

não tem cachorro, não tem grito

escuto até o vento


ai que paz, ai que silêncio

a máquina batendo, me volta a vida

a reunião em pouco tempo 

e eu no blog escondida


ai que paz, ai que silêncio

se fosse assim todo dia

faria mais poesia?


ai que paz, ai que silencio

dia de sol, nem quente, nem frio

trabalho do sofá

no braço, um café esfria

a culpa ainda é do atropelado

Que cansada

Que canseira

é muita coisa disfarçada, bem não cheira


é tanto desrespeito disfarçadao de cuidado

é tanto atropelo disfarçado de encontro

é tanto preconceito disfarçado de aviso

"são tão boas intenções, só falei de improviso"


tem que cuidar sempre, quando pensa que pode

já sobe um cuidado! 

a eterna vigilância do minorizado


Quando descansa a militante, 

se em 2025, a culpa ainda é do atropelado

15 de ago. de 2025

 Figurinha de bom dia 

quando a tecnologia encontra as tia 

13 de ago. de 2025

aspirador, tv, microondas

porta do quarto, mente, organiza

vidro no chão, conta vazia

vontade agoniza

12 de ago. de 2025

grandes distâncias no espaço(-) tempo


21 +

21-

8578


fazendo as contas aqui, acho que não vai dar

não vai dar tempo

nao vai dar liga

não vai dar certo

nem com figa


não vai dar pé, não vai dar bom

um encontro ou uma briga?


toda uma vida pela frente, toda outra pela metade.

a tecnologia permite ou empresta,

 um tempo, no sem tempo de tudo


Duas semanas no espaço-tempo 

a gente bem queria, mas nao vinga

2 de ago. de 2025

Imaginar da sala à cozinha

Eu queria era que você fosse mais escritor e descrevesse o que vê quando sai de  casa, como se fossem fotografias mentais com as suas impressões.

Conte da sua infância, como era viver na cidade onde nasceu. Você sentia frio, calor, amor, alegria? Como eram seus amigos, qual sua brincadeira preferida ou tinha algum segredo, aquele que na época parecia ser um fim do mundo, e com o passar dos anos você viu como era nada? 


E depois, quem foi a primeira paixonite, foi infantil ou foi adolescente? foi namoro ou flerte ou platônico? alguém mais velho ou coleguinha de escola. 


Este retrato, além das fotos, era o que eu queria. 


E as aulas, de escola, de curso, você bagunçava, prestava atenção, viajava no tema? Lia com antecedência a matéria, ou estudava tudo de última hora, na madrugada antes da prova ou na manhã do dia? 


O que eu quero é material para fazer o romance que eu já tenho em minha cabeça. Preciso do material de um dos protagonistas. Pode ser parte fictícia, não me importa, desde que seja bonito, ou desde que eu possa usar floreando a meu gosto, ou fazendo parte fictícia. 


Eu mudo os nomes, as datas, os locais, talvez algo muito marcante da cultura local fique difícil de mudar, isto talvez dará algumas pistas para um bom detetive literário. Mas mesmo assim será sem nome. Mudamos os nomes, talvez alguns mais comuns ou menos comuns, o que mais parecer sonoro, ou o que mais parecer disfarçar. é melhor parecer único ou é melhor mais um José ou João? 


Não quero nomes, não quero datas, mas quero impressões para ver através dos seus olhos, quero saber se você vê poesia no mundo, como sente a música, se compara comida com música, se palavras te lembram filmes ou te lembram livros. se livros te lembram pessoas, ou pessoas te lembram poemas. 


Qual lugar você sempre quis ir? Você conseguiu ou mudou de ideia? 

quantas ideias você já mudou ou quantas vezes mudou de ideia. as suas, mais do que a dos outros, a dos outros nunca saberemos. 


mas você insiste em falar como foi o dia de hoje, de ontem. e eu tenho que ter este trabalho aqui de fazer a cena toda sozinha. imaginar da sala à cozinha. imaginar a rua e a vizinha. as pessoas não ajudam os escritores e depois reclamam que não são fiéis. se não me alimentam de visões, eu imagino as cores. 


Só isso eu pediria. Onde bate o sol quando senta no sofá? É bonito ver a luz escapando da cortina? Tem um muro, uma montanha, outra janela da janela? A hora que acordou não me importa. Tinha vento no rosto, tinha barulho, tinha nada. Pensou no passado ou no futuro. Sentiu gosto amargo, vontade de ficar mais, ou se sentiu acelerado. Pensou em alguém ou em muitas pessoas, na faixa de Gaza, na tragédia humana, na discussão passada, na palavra dada ou perdida. 


imaginar roteiros é estar só. as pessoas não me dão mais moradia. fica a mente vagando distante, querendo do mundo um pouco mais de ousadia. onde se guarda o sonho, se ninguém mais sonha nada. como se inventa mundos, se contar do dia virou agenda, virou lista de padaria.


me contem, me contem tudo, não quero viajar sozinha. quero absorver do mundo as histórias. e mudar tudo que eu queria.


1 de ago. de 2025

Mas tá falando da coluna ou da vida?

 Eu sou tão torta, que se me endireitam

 me sinto torta

19 de mai. de 2025

trava-língua descarrilhado doce

 Tico e Teco comem um kit kat e depois um tic tac no boteco


 

Passar do tempo pela mexerica



Maio já tem mexerica na feira

Se já tem mexerica, já tem dias frios

Logo chega festa junina


Ainda ontem era novembro

de mexericas congeladas


Hoje já tem mexerica

Vistosa e laranja

para ser comprada


Para sentir passar o tempo

sem ser atropelada


Tem que atentar pra mexerica

antes de ser congelada



28 de jun. de 2022

Então, tinha esse menino

Então, tinha esse menino. De olhos grandes e ..não, espera, o olho dele era de um tamanho normal. Mas algumas vezes, quando animado, ele abria o olhão castanho de árvore, e iluminava tudo com aquele brilho de criança. 

Esse menino tinha um amor natural de toda criança, mas muitas vão perdendo pra vida. Aquele amor de perdoar tudo quase instantaneamente, mais rápido que preparar miojo. Este amor não precisa ser ensinado a não guardar mágoa, porque é muito mais válido sentir o amor de volta de quem antes estava triste. E quer ficar juntinho, sempre, não desgrudar mais. mesmo usando seu moletom fofinho no inverno como desculpa para este grude. Mas isto é só porque ele está crescendo. e meninos grandes tem de demonstrar ser mais independentes e durões. tem? De tanto não praticar podemos nos esquecer deste amor miojo. Tem aquela técnica de fingir tanto que você pode e no fim conseguir. Mas o contrário também é válido. Se você passa muito tempo fingindo desamor, este amor quentinho e presente se perde na vida. Como passa a sensação de saciedade de um miojo.

Queria pedir ou poder dar de presente para este menino em seus 7 anos a permanência destes grandes olhos iluminando amor. Continue insistindo em mostrar o desenho, o lego, o vídeo engraçado para presentear a todos com sua criatividade e entusiasmo. Entenda que se o moço não quis ver é ele quem perde estes momentos, passando tão rápido, e que eu não seja esta pessoa a perder. Insista no amor do perdão, mas saiba impor limites. ou infelizmente, quem a vida fez perder este brilho vão passar por cima e ir apagando o seu também um pouco. 

Meu menino cada vez mais do mundo. A cada ano é menos meu e mais do mundo, mas ao mesmo tempo a cada ano tem mais consciência deste amor. Que possamos falar todos os dias o "eu te amo pra sempre e todo sempre". E que ele seja o pra sempre e também o de cada momento. Todo desenho, todo abraço, todo cheiro, toda mão dada para atravessar a rua, todo leitinho com bolinho preparado, toda mão esticada para dormir em cima, todo livro lido (mesmo os que a mamãe resume umas partes porque tá com sono) toda canção para dormir, todo passeio, toda conversa sobre jogos em que eu entendo a metade, toda pergunta que eu explico e ele entende a metade... enfim o todo sempre não parece mais redundante. Deve significar isto: um sempre de todo dia. Desde que então, tinha esse menino.

4 de dez. de 2015

Caio, 5 meses. O que aprendi. E não aprendi

Caio, quase meio ano conosco. Que aventura tem sido. Quantas vezes seus pais se apaixonaram e brigaram de novo pelos mesmos motivos: a forma como és criado, como levar a vida e a relação a dois após sua vinda, e também pelas tantas noites sem sono tranquilo, o que tira o bom humor de qualquer mortal.
Ainda não sei na maioria das vezes porque você chora conforme dizem que os pais aprendem. Ainda não aprendi, será que um dia irei? Ainda não sei o que fazer para você dormir uma noite inteira, nem como te pôr pra dormir sem protestos de sua parte. Deixar no berço e dizer boa noite depois de uma história. Será que um dia? Ainda não sei cortar suas unhas, a simples ideia de uma tesoura, mesmo sem ponta perto de um bebê me deixa apavorada, e o cortador e lixa parecem não dar conta de unhas moles e meio encravadas.
Ainda não sei usar o sling direito, e nem por quanto tempo conseguirei te segurar, sendo você um bebê tão grande e forte parecendo mais filhote de gorila e não de dois saguis magrelos feito seus pais. Ainda não sei como suportarei te deixar para ser cuidado por estranhos, quando chegar a hora da creche. Ainda não sei como tem amigo dos seus pais que ainda não tirou o tempo da cartola para vir te conhecer. Mas isto, eu sei, é porque sou uma mãe coruja e mesmo correndo o risco de ser ridícula, te acho um dos bebês mais lindos e simpáticos que eu já conheci.
Também já sei que sou mãe conforme sempre fui de personalidade: Atrapalhada, palhaça e teimosa. No bom e no mau sentido, pois não sei quando minha teimosia é pela forma correta ou errada de te cuidar. Sei que te ter no colo e te fazer rir são as melhores coisas do mundo. Sei que a vida pré Caio era cheia de tempo e tédio. E que este meu coraçãozinho egoísta nunca poderia pensar em amar tanto alguém antes de você nascer.
Feliz mensário, que venham centenas destes, e que eu possa estar contigo na maioria deles.

29 de nov. de 2015

Que parto!

E quanto tempo! Meus vinte leitores; Saudades! Queria escrever mais coisas sobre a gestação, mas agora, mais de 4 meses depois do nascimento do Caio parece já um mundo distante a época de gravidez. Os quilos já foram perdidos, a barriga secou, tirando o umbigo ainda meio caído, tudo voltou ao normal. Quantas vezes e quantas coisas quis escrever, mas parece que toda vez o Caio acordava, reclamava, protestava...pode ser timidez. Ele nem sabe da existência do diário da vida uterina dele. E nem das tantas experiências e vivências que ele nos faz ter pelo simples fato de estar no mundo. Hoje ele resistiu muito às sonecas e dormiu cedo à noite, escapando do banho (ah, malandro!). Por isso eu estou de volta.
Voltar ao blog é interessante, pois a última postagem foi exatamente um dia antes do nascimento, e no mesmo dia 3 de julho, por volta das 23:30 da noite a bolsa estourou. Mais de 20 horas depois, as 20:14 do dia 04 de julho Caio nasceu. E eu aqui escrevendo sobre os "longos" partos de 15 horas e o quanto eu esperava ser um dos casos de parto simples e natural, daqueles que nem precisa anestesia.
Ao menos as primeiras 10 horas não senti muita dor, as contrações pareciam fortes cólicas e tinham intervalos de meia hora entre elas. No final da manhã e no começo da tarde do dia 04 as dores aumentaram e ficaram menos espaçadas, e entre as contrações eu também sentia dor, só menos intensa. Pedi arrego mesmo,ou melhor, a peridural. A médica me perguntou pela manhã o grau da minha dor, de 0 a 10, e eu disse 7. No meio da tarde ela não perguntou, mas eu disse 11, me dá uma anestesia, PELAMORDEDEUS. Não exatamente com estas palavras, mas com este nível de desespero no olhar. Não gritei. Não entendo quem grita com dor. Até hoje acho que dor de quem grita não é tão aguda, pois com muita dor se fica fraco. Escorriam lágrimas aos borbotões como dizem nos livros antigos. E eu não conseguia falar quase nada. A pressão subiu e eu estava quase inconsciente. Disse o anestesista ter perguntado meu nome 3 vezes e eu não respondi. Perguntou? A médica não quis dar a anestesia logo, me pediu para tentar sentar na bola de Pilates (ai, doeu mais) ou ficar sentada embaixo do chuveiro quente, pois a dilatação estava grande e se tivesse anestesia ia demorar bem mais o parto. Eu falei: prefiro 3 horas de parto do que mais 1 minuto desta dor. Eu e minha grande boca novamente. Ficamos 3 horas na sala de parto.
A mão do pai foi tão apertada que ele teve de tirar a aliança para eu não machucar. E o chuveiro só serviu para amenizar as dores entre as contrações, pois as danadas continuavam doendo de quase desmaiar. Uma dor aguda e perturbadora. Achei que minha época de adolescente atleta poderia ter reforçado meu corpo. Mas na verdade tive muito mais tempo de sedentarismo.
Enfim, após uma longa hora de chuveiro e eu insistindo na anestesia, ela acionou o anestesista, mas ele estava acompanhando uma cesárea. Depois fui levada pra sala de anestesia, e esta história de passar imediatamente a dor não funcionou. Foi diminuindo, mas ainda doía e agora eu nem tinha mão para apertar, pois na sala fiquei sozinha olhando para um relógio de parede, sentada na cadeira de rodas nada confortável. Quando se podia conversar comigo e as lágrimas secaram, talvez uma hora depois, eu fui pra sala de parto.
Doutora Beatriz foi um poço de paciência e calma, parecia uma parteira velha e sábia, e não uma jovem médica. Colocou música, gênero escolhido por mim, me fez trocar de posição várias vezes para manter o ritmo dos batimentos do bebê, falava "ótimo", está quase, toda vez que eu fazia força. E o papai ponta firme do Caio falava "quase, muito bom". O "quase" deles demorou 3 horas, eu muitas vezes pensei em pedir uma cesárea, mas sabia que naquela altura não seria muito conveniente, pra dizer o mínimo. Por efeito da anestesia, só sabia que estava fazendo força por um alívio da dor na costela, e pela lembrança que temos do movimento de força para baixo.
A vovó do lado de fora rezou para a nossa senhora do bom parto, que eu nem sabia da existência, pelas longas horas.
Te digo que eu mesma quase não acreditei quando nasceu. E não tive nada de tanta emoção instantânea. Tive alívio, alívio porque deu certo, alívio porque acabou, alívio porque nasceu. E não acho que já sabia o que fazer ou como segurar o Caio. Estava trêmula do esforço, do cansaço, nada do que li me passava pela cabeça, nenhuma preparação na hora da estafa. As enfermeiras me deram e colocaram no meu peito para mamar o colostro. E elas apertam o peito, e dói, mas saiu o líquido, ufa de novo. Levo o Caio nos braços e na cadeira de rodas para o quarto depois de ser lavada e me colocarem a fralda.
Depois é a preocupação, a rotina de 48 horas de maternidade com muitas visitas para o Caio e para mim. Tira pressão, dá banho no Caio, toma remédio, traz lanche, traz almoço, vem pediatra, ginecologista, enfermeira, e sei lá mais quem do hospital. Não se dorme também, qualquer respirada mais funda do bebê eu acordava, pegava nele para ele me sentir e eu senti-lo.
Sinceramente só me emocionei mesmo quando saímos da maternidade, e mesmo na noite chuvosa e sem lua Caio prestava muita atenção em todas as luzes e movimentos, olhando com os olhos bem vivos e curiosos. Lá estava meu filho, experimentando o mundo pela primeira vez.

3 de jul. de 2015

Sobre os príncipes e princesas e o meu macaquinho!

De um tempo pra cá, não sei quando, virou moda chamar os filhos de "herdeiros", príncipes, princesas. Mesmo se os pais forem assalariados e sem muitas posses. Nos enfeites de porta de maternidades, chás de bebê, roupas e outros itens de decoração para crianças, proliferam as imagens de coroas, com tons dourados, rococós e outros ícones de realeza. Já lidávamos com as princesas Disney faz tempo, mas não lembro de ver tantas alusões à monarquia para comemorar o nascimento e a vida de ambos os sexos de crianças. Talvez em outros países com governos de monarquia isto nunca tenha deixado de ser moda, mas é interessante notar esta onda no Brasil, e ver que infelizmente o complexo de inferioridade tupiniquim ainda persiste em muitos âmbitos da nossa vida, mesmo assim disfarçados na beleza de inocentes artesanatos.
Dizer simplesmente que é brega seria uma opinião vazia. Não que eu não ache. Mas vou além. Acho mesmo a monarquia uma forma ultrapassada e onerosa de governo. Não acho bonito ser príncipe. Não me acho também uma "rainha do lar" para ter um "herdeiro" considerado príncipe. Não quero tampouco que ele seja tratado como tal, nem por mim nem por ninguém. Este tratamento diferenciado, como se realeza tivesse mesmo outra cor de sangue ou outro cheiro de cocô (no popular, cagar perfumado) não me parece adequado para educar nenhuma criança. Ainda mais uma de classe média, filho de professor no Brasil e de mãe por enquanto desempregada, e portanto, sem grandes regalias na vida.
Mas aí está também um sintoma de mães e pais "tardios", com mais de 30, quase 40 anos, que pensam em ter só um filho e acabam colocando a criança num pedestal. Muitas vezes trabalham como escravos para manter o padrão de vida de príncipe para o filho. E o filho pode tudo. Como um príncipe realmente. Mas no caso um príncipe filho de proletário. Estranha situação.
Por outro lado, se ele é um príncipe, terá de esperar calado sem muito poder apitar até que o rei ou rainha faleça e ele venha a assumir o "trono", o mando da casa. Interessante é que lendo um dos best sellers sobre educação no Brasil, "Quem ama, educa" emprestado por uma cunhada, Içami Tiba fala sobre uma casa democrática, onde os filhos podem também ter um papel decisivo em questões, desde que eles saibam mais sobre elas. Por exemplo, tecnologia. Não faz sentido o pai ou mãe escolherem sobre o computador ou a internet, se o filho pesquisa mais e sabe muito mais a respeito. Resguardado, claro, a questão financeira. Mas isto pode se tornar um debate, e as partes podem chegar juntas à melhor decisão, o tal melhor custo x benefício. Isto me parece uma boa dica e uma forma harmônica de educar. Muito diferente do principezinho mandar e desmandar, ou do rei ou rainha mandar e o príncipe sempre calar a boca. Mas parece que as pessoas leram e não absorveram esta parte do livro.
Pois é, por todos os lados que eu vejo, esta associação com monarquia me parece ruim. Opa, abro uma exceção para as alusões ao príncipe do livro "O pequeno príncipe" pois este fala sobre a necessidade de se manter a criança sonhadora dentro dos adultos, as amizades, e outras coisas essenciais e "invisíveis aos olhos" em nossa vida. O príncipe no caso é príncipe só de seu mundo particular, e sai humildemente pelo universo a conhecer e aprender com os mais variados tipos de seres e situações.
Mas em tempo de tantos príncipes, prefiro que nosso filho seja um macaquinho. Em minha adolescência minha mãe descobriu os signos chineses e nos deu livros sobre os nossos. Eu adorei ser macaco. Debochado, brincalhão. Sempre gostei de macacos, e achei o máximo este ser meu signo. Neste caso, filho de macaca, macaco será. Por uma dessas maluquices da vida, acabei indo morar no meio da maior floresta do mundo, de onde vieram meus pais e avós, e lá acabou sendo gerado nosso filho. Inicialmente quando pensei no tema para chá de bebê e para enfeite de porta não me passou pela cabeça esta associação, mas agradeço à minha amiga Marion por me lembrar de mais um motivo para que eu fuja das coroas e prefira as árvores e os macacos para recepcionar meu filho, que nascerá de uma mistura bem brasileira, com muito orgulho.