Eu li outro dia ou ouvi um post, que o amor é dar o que nos falta. E claro que isto pareceu uma frase feita somente para confundir mesmo a mente de mortais desocupados (ou ocupados em procrastinar) procurando inspiração no Instagram.
Eu dou o que me falta. Bonito, poético, ninguém entende porra nenhuma e finge que entende? A gente entende poeticamente falando, entende o conceito. Amar então seria dar no sentido de mostrar e ver aquele espaço vazio seu e do outro. As falhas e as faltas. Mostrar os buracos novos, velhos e os de sempre.
E até pouco, lendo outra coisa (desta vez eu lembro que estava lendo mesmo) eu fiz a associação. De que talvez então por isso eu acho que só aprendi amar mesmo quando tive estes buracos enormes arrancados de mim.
Numa observação bem rasa da vida, percebi grandes alegrias em pessoas com grandes dores, uma revolta bonita transformando dor em riso. E enão percebi que sinto mais, disfarço menos, ligo menos, não só pela idade, mas pelas perdas, pelos buracos gigantes de alma e pelos pedaços também de corpo que me foram arrancados.
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