31 de jul. de 2026

dia último de julho tentando escrever todo dia

e nesses dias cinzas de final de mês tenho certeza que não conseguirei escrever porque aparentemente não consigo fazer nada. mas a mente viaja, e sempre mais rápido que os dedos. e se pegar o notebook vai sair, e de novo perdi a caneta e não consigo entender minhas própria letra, de qualquer forma.


O dia se passa com a procura de um novo apartamento e o que acho é um muquifo do tamanho de mosquito (muquifo de mosquito - isso podia ser um poema? neh). uma tentativa de golpe no meu cartão, corre para cancelar compra. sono, tenho uma ideia, tirar cochilo na hora do almoço, e na mesma hora a vizinha de cima resolve faxinar o quarto exatamente acima do meu. arrasta móveis, passa aspirador, desisto, vou ouvir podcast, quem sabe abafa o som e quem sabe eu durma com as vozes calmas dos jornalistas. ela para de limpar. agora vou dormir então, desligo o som, e ela volta a arrastar coisas. desistência real oficial agora. comer, tomar café. trocar de local de trabalho para não ceder ao sono. 


É sexta, final do mês, pia cheia de louça. não é um dia de poesia, é um dia de prosa sem pausa. prosa sem ponto e vírgula. de quem fala rápido para não dormir ou não esquecer as palavras. 


29 de jul. de 2026

quarta feira eu preciso de música


quarta feira eu preciso de música, 

a vida aqui dentro pede, sair da surdina 

ir para a rua, incomodar vizinha


a vida aqui dentro presa na rotina

a vida lá fora, mesmo chovendo, me queria, 


a vida aqui dentro pede um doce

a  vida lá fora grita poesia


a vida lá fora tem perguntas,

a vida aqui dentro, certezas frias

17 de jul. de 2026

não sei se tenho tanto

talvez eu não tenha tanto

ou meu tanto seja para outros cantos


talvez eu só tenha medo.

Todo meu ser é desencanto


talvez eu não tenha meios

de fazer meio meu tanto


de dividir em quantos

quanto mais seus devaneios


talvez me desfaça em pranto

talvez me escorra no meio

[ou me guarde em outro canto]


não sei se tenho tanto

para estar neste recreio


ando em voltas,

me abandono


me acho e perco

- no meio


é o meio ou o fim

de tarde


Por tanto tempo o que eu queria

não era nem nunca seria

o que a vida oferecia


posso dizer não, obrigada

não sei usar, não sei se gosto

não sei se tenho tanto


vou deixar o seu tanto

se escorrer pra todo lado

tão bonito, profundo lago


eu no entanto, sem tanto

deixo o lago de lado


sendo eu mais para um rio

sigo o curso para o mar

14 de jul. de 2026

quando te conheci?

foi ontem,

e há mil anos


flor de sempre

eterno agora


te conheci tanto pouco,

tão muito


foi só um aceno,

assinado e certo


e só uma pedra,

com peso de pena


é só uma pêra,

um piso de pó


vai deixar rastro bonito

da luz que um dia foi

da cor que sempre é


vai ficar no meu caminho

para agora e depois

todo presente

presente eu gosto de todo jeito

o dados sem jeito, os programados, os surpresa

pequenos envergonhados ou grandes inesperados


se me dizem que o presente é estar presente, 

já olho desconfiado


dá presente quem esteve presente

ouviu e lembrou de você quando viu algo

aquilo ia ajudar, disto ela podia gostar


dar presente é ter estado presente

e querer continuar


é mostrar que o outro importa

e está presente em você


todo presente é retornar um pouco do outro 

presente em você