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19 de jun. de 2015

O Chá de bebê - ou chás de bebê

Por algum tempo pensei se faria ou não, se valeria a pena fazer um chá de bebê. Não tenho patrocínio (pai-trocínio ou mãe-trocínio), Caio não terá dindos ricos que pudessem bancar, e mesmo que tivesse, não sei se aceitaria, pois gostaria de participar da decoração e planejamento que pra mim são das coisas divertidas de se fazer festa. Dar pitaco em presente é muita folga. Cavalo dado não se olha os dentes, como diriam.
Aí colocando na ponta do lápis, de forma prática, quanto se gasta para fazer uma festa e quanto se ganha de fraldas, às vezes não parecia valer a pena financeira e praticamente falando. O chá de fralda antes da mudança seria inviável, pois não teríamos como trazer as fraldas na mudança diminuta que veio em malas no avião e dentro de um Clio Campus Hatch. Pensei em fazer um chá de bebê de roupas, pois estas se dobra e se traz em qualquer espacinho. Mas sem saber se haveria ou não mudança, achei melhor deixar para o fim da gestação. Sabendo onde nasceria o bebê, poderíamos planejar as outras coisas. O quarto, as roupas (de inverno ou de verão), e o chá. Muitos dizem ser ideal já ter um barrigão para posar nas fotos, ou para fazer aquelas brincadeiras de pintar barriga.
Uma coisa eu sabia que não queria. Brincadeiras de pintar a barriga. Trocar fralda de boneco, fazer o papai e os convidados participar de joguinhos acachapantes e supostamente divertidos. Uma amiga me informou que isto é influência americana. Parece mesmo humor americano isto de pintar, fazer os outros passar vergonha. Lembra "brincadeiras" de jogar torta, e humores "clown" os quais nunca gostei. Queria uma festa de meninos e meninas, sem separar casais.
Como quem tem amigos tem tudo, recebemos um chá de bebê surpresa. Só papai estava presente, mas os amigos não queriam deixar passar. Era pra ser uma festa de despedida básica, que o grupo de amigos por lá faz todo fim de semana e feriado. Churrasquinho e bebidinhas. Chegando lá papai é surpreendido com bolo de fraldas, decoração de roupinhas e meias azuis, carrinhos e balões. Painel de recados e vaquinha para comprar fraldas. A vaquinha foi tão farta que compramos um berço pelo valor! Rolou chororô e abraço coletivo. Eu à distância me emocionei só de ver as fotos.
Acho que isto me deu mais vontade de fazer um por aqui também, já instalados e querendo reunir os amigos para conhecer a casa. Podendo pedir fralda pois teríamos grandes armários para guardar. Lá foi despedida e chá de bebê; aqui seria uma inauguração e chá de bebê, festas multi função! Deixei as contas práticas um pouco de lado, e mesmo que financeiramente não fosse tão atrativo, valia para reunir uma primeira vez amigos na casa nova.
Uma amiga fez o grupo de discussão e assim que foi decidido o tema, já tinha símbolo e banner de evento. Também de presente vindo da dinda de casamento e profissional com mais de 10 anos de atuação, Fran Lima. Já falei que quem tem amigos tem tudo? A dinda do Caio levou para comprar as coisas da festa, sem contar com as tantas dicas de fornecedores. Papai se responsabilizou pelo prato principal (delícia!) e a família Lima deu uma boa ajuda na decoração, contando com enchimento de cerca de 100 balões em mais ou menos uma hora! Acho que é um recorde!

17 de jun. de 2015

Tchau Vovô

No dia primeiro de Abril deste ano Vovô do Caio pregou sua última peça, e foi embora desta vida de forma repentina, sem avisar, que ele não era homem de pedir autorização pra nada. Desbravador, trazia no sangue o espírito dos antepassados italianos que saíram de tão longe para buscar uma vida melhor, e ele mesmo saiu tantas vezes e de tantos lugares para novas vidas, novos rumos. O mais incrível disto é que eu era admirada pelo sogro. Ora vejam, são destas coisas que fazem a gente ficar encabulada, pois sabe ser bem menos que o admirador, merecer menos admiração do que quem admira.
Apesar de toda a criação rígida que recebeu e deu aos filhos no começo, ele era um desafio à nossa ideia preconceituosa de que velhos turrões não mudam, não perdoam, não dão mais chances depois de erros e descaminhos. Como era bonito de ver ele ouvir e perguntar ao filho sobre política, economia, futebol. Para homens antigos, com dificuldade para demonstrar sentimentos fisicamente, o amor se demonstra muitas vezes em ouvir e respeitar. Mesmo tendo muito mais vivência, era sábio o suficiente para enxergar nos outros a sabedoria que os estudos também podem trazer. E mesmo vindo da roça, ajudou o filho a estudar por muitos anos, e reconhecia na profissão de professor uma grande honra.
Vovô foi o primeiro a saber da possível vinda do Caio, depois do papai, claro. E ficou feliz de gargalhar. Depois recebeu nossa visita com o Caio já maior dentro da barriga, e ele ouviu lá de dentro esta gargalhada famosa, e a voz do vovô Severgnini.
Quando recebi a notícia inesperada uma das primeiras coisas que me fez triste foi saber que o Caio, assim como eu, não teria Vovô. E depois me consolei, com o fato de ao menos o vovô ter tido a alegria de saber de mais um neto antes de ir. Fomos ao velório e enterro, mais para apoio moral à família, segurar na hora da despedida final, quando as pernas tremem e os olhos turvam. A despedida a gente fez depois, calmamente demos nosso tchau sozinhos. Papai foi tão firme que soube consolar a família à distância, pois estava longe longe, ainda no caminho da agora antiga casa para resolver as últimas coisas da mudança. Nunca saberei como é passar por isso à distância, mas também ele pôde se despedir depois, do jeito dele, calmamente. Nunca são suficientes as despedidas, e nunca se preenche o vazio que os pais deixam. A vida para quem fica também é outra, menos colorida. Mas o Caio vai ouvir ainda muitas histórias deste Vovô serelepe, e sem saber, conhecer muito dele através do pai, ou quem sabe, dele mesmo. Tchau Vovô, sentiremos muito sua falta.