31 de mar. de 2026

o que seria o romance?

o que seria o romance?

calda de chocolate no sorvete

dose extra de alpiste, mais glitter

para a dança, mais pique


o que seria o romance? 

pipoca com mais manteiga

verão com brisa

inverno com lareira


banho de mar sem caldo

banho de rio sem pedra,

aquele vaso na janela

aquela flor na lapela


pequeno pingo que cai sem se saber

quentinho no peito, só de ser


o que seria o romance?

preso no eterno instante

solto no ar, levante


riso solto, canto livre

gargalhada admirada


belo, atrapalhado, 

talvez brega e datado?


O que é o romance

tanto falado,

vendido, capitalizado


presente inesperado,

pôr do sol alaranjado?


cheiro de mato no concreto,

conversa na madrugada deserta


15 de mar. de 2026

impossível feito abelha

o que eu queria era você 

conhecendo cada cantinho da vida

cada fresta, 

do joelho, de pêlo, onde aperta


o que eu queria é uma densidade que vôa

avestruz voando, impo (a)ssível, feito abelha


conhecer

todas minhas roupas,

minhas ideias loucas

cada curva do ser


todos os sorrisos

os choros coloridos

os gozos de desviver

SabOor infinito

se conheceram e anoiteceram

no mesmo dia,  feito milagre,

amanheceram


se conheceram e aconteceram

em outra noite,  por milagre,

permaneceram


e foi de uma vez só,

como quem arranca curativo


e foi de uma vez só,

fez-se de um nó,  laço bonito


foi de uma vez só,

gosto de infinito

puxa uma cadeira, senta

Então, você vai fazer 40
puxa uma cadeira, senta

nada muda, nem lamenta
nada muda, talvez o olhar
de quem mal se sustenta

talvez você queira correr
já é metade, o meio
vai vida, dizer a que veio

talvez desacelere, satisfeito
bonito sou, já me aceito
me refaço, mesmo desfeito

então chegou, temido 40
o menino vai dizer: tudo isso tio?
o senhor vai dizer: que jovem!

vem o peso dessa grave palavra
não mais trinta, mas qua-ren-ta
não quer dizer nada, só metade de oitenta

12 de mar. de 2026

donde cê é?

brasiliense do plano piloto
do concreto sem sal
amplidão do horizonte,
sem mar no final

sou nortista da rede
neta de seringal

nordestina da sede
de praia e carnaval

sou mineira de prosa
fruta e roupa no varal
pão de queijo, docidileite
infância de quintal

amazonense do igarapé
do banho, cheiro de madeira
do medo de onça e jacaré
matrinxã, tambaqui, tucunaré

sou cearense carne de sol
carne ao sol do Futuro
Iracemar, sorvete de tudo

catarinense de pontes
trânsito lento, distúrbio
manezinha 'retada
de fala cantada
oio io, pra tudo

de chinelo, com orgulho
vergonha alheia do absurdo
venham todos, façam barulho
isso aqui é Brasil e gente não é entulho

tenho um amor primeiro
os outros serão fevereiro

tenho um amor enquanto
os outros serão portanto

tenho um amor inteiro
tenho um amor, saudade

tenho um amor cruzeiro
pelo mar da cidade

tenho um amor marinheiro
tenho um amor, de verdade?

tenho um amor ligeiro
tenho um amor, novidade!

9 de mar. de 2026

hein?

te amo, você falou primeiro
surpresa, atônita

respondi um xoxo: aah, eu também 
convencendo um total de
ninguém pessoas

e depois, de novo, e eu
disse (talvez ainda mais fraco)
o eu também, trazendo do outro lado um:
não precisa dizer o mesmo

(depois eu disse que disse o mesmo já antes indiretamente ou não diretamente em um poema que não mostrei, que me fiz de rogada, mandei um link perdido um mês atrás que ninguém abriu, você não viu?)