mãe nossa que no caso sou eu
o caos nosso de cada dia NÃO nos dai hoje
e não nos deixei cair em lamentação, porque o mal sempre vem
do além
Só para fazer um trocadilho mesmo.
mãe nossa que no caso sou eu
o caos nosso de cada dia NÃO nos dai hoje
e não nos deixei cair em lamentação, porque o mal sempre vem
do além
caminhando firme em direção, não sei
com todas as certezas deste amor, talvez
passos certeiros deste caminho nuvem
vôos rasteiros deste teco-teco supersônico
água profunda deste lava-pés
riacho de águas calmas, cachoeira
cai nos pés das asas do sonho
veio ao contrário de tudo que é canto
cantando suave passo de elefante
não me diga, pois não sei
não me veja mais que eu
pequeno grande menino
de coração tão plano
e mente tão íngreme
de alma tão vasta
em paisagem de basculante
de água funda, navegante
de vôos altos, tripulante
do escafandro ao astronauta
num século de instante
estava ali tão perto e distante
estava aqui longe, aconchegante
Um "teco" é um pedaço pequeno de alguma coisa. Também usado por certo tipo de viciado quando precisa de só um pouco mais do que o vicia. Um Tico pode ser apenas o irmão do Teco no desenho, mas se é algo menor ou igual tamanho do Teco seria motivo de briga entre os esquilos, ou talvez apenas dois sinônimos.
Já um "treco" é alguma coisa que não sabemos ou esquecemos o nome momentâneamente, um objeto genérico. Um treco não necessariamente é maior que um tico, mas ele é uma coisa toda, não é um pedaço.
Um "troço" é um treco mais desengonçado, talvez inadequado ou no lugar errado. "Tira esse troço daí" parece mais apropriado do que "tira esse treco". Um nome mais adequado para a coisa mais fora de propósito.
Já um "trambolho" é um troço maior e que dá ainda mais trabalho para mover, ainda mais incoveniente.
Mas nada é mais incoveniente e desesperançoso do que " o elefante na sala", talvez só um "elefante branco", por que ele não ocupa só um espaço grande em um cômodo da casa, ele é geralmente uma construção, um prédio inteiro! Um trambolhão faraônico sem serventia certa.
(inspirado nos textos de "Porta Palavra" do Gregório Duvivier para o Porta dos Fundos:)
amorzin é sentimento
pequeno, demérito, tacanho
soa mesquinho,
não se dá todo;
[só um cadinho]
amorzin é amor que cabe
num cantin, numa gaveta,
no encolho
é pianinho, pianíssimo,
não se espalha, não se arrebata
não se sobra, não tem molho
Amorzão, eu não escolho
ele invade, bagunça,
esparrama todo
amorzão tem braços longos,
para abraçar o mundo,
amorzão não tem nó,
não tem limite, não tem rumo
nele me submergo
volto com mais ar,
do que mergulho
não tem divisa, nem
fronteira, vai ali num pé,
não volta noutro
e nesses dias cinzas de final de mês tenho certeza que não conseguirei escrever porque aparentemente não consigo fazer nada. mas a mente viaja, e sempre mais rápido que os dedos. e se pegar o notebook vai sair, e de novo perdi a caneta e não consigo entender minhas própria letra, de qualquer forma.
O dia se passa com a procura de um novo apartamento e o que acho é um muquifo do tamanho de mosquito (muquifo de mosquito - isso podia ser um poema? neh). uma tentativa de golpe no meu cartão, corre para cancelar compra. sono, tenho uma ideia, tirar cochilo na hora do almoço, e na mesma hora a vizinha de cima resolve faxinar o quarto exatamente acima do meu. arrasta móveis, passa aspirador, desisto, vou ouvir podcast, quem sabe abafa o som e quem sabe eu durma com as vozes calmas dos jornalistas. ela para de limpar. agora vou dormir então, desligo o som, e ela volta a arrastar coisas. desistência real oficial agora. comer, tomar café. trocar de local de trabalho para não ceder ao sono.
É sexta, final do mês, pia cheia de louça. não é um dia de poesia, é um dia de prosa sem pausa. prosa sem ponto e vírgula. de quem fala rápido para não dormir ou não esquecer as palavras.
quarta feira eu preciso de música,
a vida aqui dentro pede, sair da surdina
ir para a rua, incomodar vizinha
a vida aqui dentro presa na rotina
a vida lá fora, mesmo chovendo, me queria,
a vida aqui dentro pede um doce
a vida lá fora grita poesia
a vida lá fora tem perguntas,
a vida aqui dentro, certezas frias
talvez eu não tenha tanto
ou meu tanto seja para outros cantos
talvez eu só tenha medo.
Todo meu ser é desencanto
talvez eu não tenha meios
de fazer meio meu tanto
de dividir em quantos
quanto mais seus devaneios
talvez me desfaça em pranto
talvez me escorra no meio
[ou me guarde em outro canto]
não sei se tenho tanto
para estar neste recreio
ando em voltas,
me abandono
me acho e perco
- no meio
é o meio ou o fim
de tarde
Por tanto tempo o que eu queria
não era nem nunca seria
o que a vida oferecia
posso dizer não, obrigada
não sei usar, não sei se gosto
não sei se tenho tanto
vou deixar o seu tanto
se escorrer pra todo lado
tão bonito, profundo lago
eu no entanto, sem tanto
deixo o lago de lado
sendo eu mais para um rio
sigo o curso para o mar
foi ontem,
e há mil anos
flor de sempre
eterno agora
te conheci tanto pouco,
tão muito
foi só um aceno,
assinado e certo
e só uma pedra,
com peso de pena
é só uma pêra,
um piso de pó
vai deixar rastro bonito
da luz que um dia foi
da cor que sempre é
vai ficar no meu caminho
para agora e depois
presente eu gosto de todo jeito
o dados sem jeito, os programados, os surpresa
pequenos envergonhados ou grandes inesperados
se me dizem que o presente é estar presente,
já olho desconfiado
dá presente quem esteve presente
ouviu e lembrou de você quando viu algo
aquilo ia ajudar, disto ela podia gostar
dar presente é ter estado presente
e querer continuar
é mostrar que o outro importa
e está presente em você
todo presente é retornar um pouco do outro
presente em você
Eu li outro dia ou ouvi um post, não lembro, que o amor é dar o que nos falta. No início me pareceu uma frase feita somente para confundir a mente de mortais desocupados (ou ocupados em procrastinar) procurando inspiração no Instagram.
Eu dou o que me falta. Bonito, poético, ninguém entende porra nenhuma e finge que entende? Ou a gente entende poeticamente falando, tentei entender o conceito. Amar então seria mostrar e ver aquele espaço vazio seu e do outro. As falhas e as faltas. Novas, velhas e de sempre.
Talvez então por isso eu aprendi amar mesmo quando tive estes pedaços arrancados de mim. Numa observação meio rasa da vida, percebi grandes alegrias em pessoas com grandes dores, uma revolta bonita transformando dor em riso. E enão percebi que sinto mais, disfarço menos, ligo menos, não só pela idade, mas pelas perdas, pelos buracos gigantes de alma e pelos pedaços também de corpo que me foram arrancados.
bolha de sabão
pirulito
bala azeda
quero um pouco de cada
quero uma correnteza
quero um pouco de casa
em uma nova beleza
cheiro de mato, passarinho,
quero um pouco de doce
de natureza
de com força
de com gosto
de mão e contramão
de hoje, amanhã, daqui a pouco
de ontem, anteontem, caminhão
de rio, de mar, de paisagem,
de rua, de trânsito, cidade
de passagem, de sempre,
de sim e de não,
de imprevisto e de antemão
te amo portanto
cada dia mais um pouco
nunca diferente, nunca igual
sempre fiel ao tão louco
e sensato coração
eu não tenho um canto
pra chamar de conto
meu canto só anda
de verso e parte
não é mais inteiro
feito antes
eu não tenho conto
que eu chame de canto
e transforme em prosa
algum desencanto
eu não tenho
300 palavras
hão de brotar por encanto
por enquanto
Que veja a vida como um tobogã
dói a bunda e dá medo
mas você quer ir de novo
"como se não houvesse amanhã!"
em cada perigo, um brilho
em cada canto vivo
em cada gota vive
frescor da manhã
em cada trilha
em cada peça, em cada linha
escalda pés, amarelinha
em cada escada minha
que a noite descanse
e de dia caminha
de dia, corre
de noite dorme
descansa a bunda que bateu
recolhe a alma no chapéu
derrama o verde
que colheu
solta o azul
junto do céu
guarda o descanso
junto aos seus
Sempre que a vida adulta nos faz passar por momentos graves
é preciso um momento agudo pra confundir
agudamente doce
agudamente eufórico
contra o peso de ser adulto,
um balão colorido
momentos graves e grandes
pedem pequenos bolos atos
defendi tcc e li um gibi,
constestei uma dívida e cantei debaixo da árvore
saco de balas
depois do saco cheio
para todo fim, um começo
ao corpo se espera o cerco
mas ele, pássaro cantareiro
em todo não, um sim
para todo ciclo, desfecho
para toda esquina, dobra
para cada quina, manobra
para todo sempre sobra
alguma coisa a fazer
para toda luta, um saber
para toda fruta, morder
e toda vida custa
o sabor de viver
sua mente é um caos
tão singular
sua mente, um cais
de um tão grande mar
bagunça, balbúrdia
guerra de travesseiro,
doces e travessuras
um ponto no tempo,
eterna onda em movimento
um som,
de escalada noturna
escala dó soturna
um dom,
de quem grita na rua
um porto,
de onde parte o vento,
onde chega a altura
onde pula o mundo,
onde cai, firmamento
pôr do sol meio dia,
pôr do lado de lá
pôr de cá, melodia
Te desejo:
Crises de riso diárias
(e se não for possível, uma a cada quinze dias)
Conversa absurda
sem filtro de senso
Dançar sem música,
movimento
Inventar um sonho,
passear por ele
Embalar de rede,
sempre que tiver vento
Um pouco de mar
(para ele se faz tempo)
Cachoeira sem mosquito,
com trilha amena
brilhos de álcool,
sem arrempendimento
descobrir caminhos,
reencontrar destinos
que se sinta amado
no pior momento
que se sinta livre
para ficar
o que seria o romance?
calda de chocolate no sorvete
dose extra de alpiste, mais glitter
para a dança, mais pique
o que seria o romance?
pipoca com mais manteiga
verão com brisa
inverno com lareira
banho de mar sem caldo
banho de rio sem pedra,
aquele vaso na janela
aquela flor na lapela
pequeno pingo que cai sem se saber
quentinho no peito, só de ser
o que seria o romance?
preso no eterno instante
solto no ar, levante
riso solto, canto livre
gargalhada admirada
belo, atrapalhado,
talvez brega e datado?
O que é o romance
tanto falado,
vendido, capitalizado
presente inesperado,
pôr do sol alaranjado?
cheiro de mato no concreto,
conversa na madrugada deserta