bolha de sabão
pirulito
bala azeda
quero um pouco de cada
quero uma correnteza
quero um pouco de casa
em uma nova beleza
cheiro de mato, passarinho,
quero um pouco de doce
de natureza
Só para fazer um trocadilho mesmo.
bolha de sabão
pirulito
bala azeda
quero um pouco de cada
quero uma correnteza
quero um pouco de casa
em uma nova beleza
cheiro de mato, passarinho,
quero um pouco de doce
de natureza
de com força
de com gosto
de mão e contramão
de hoje, amanhã, daqui a pouco
de ontem, anteontem, caminhão
de rio, de mar, de paisagem,
de rua, de trânsito, cidade
de passagem, de sempre,
de sim e de não,
de imprevisto e de antemão
te amo portanto
cada dia mais um pouco
nunca diferente, nunca igual
sempre fiel ao tão louco
e sensato coração
eu não tenho um canto
pra chamar de conto
meu canto só anda
de verso e parte
não é mais inteiro
feito antes
eu não tenho conto
que eu chame de canto
e transforme em prosa
algum desencanto
eu não tenho
300 palavras
hão de brotar por encanto
por enquanto
Que veja a vida como um tobogã
dói a bunda e dá medo
mas você quer ir de novo
"como se não houvesse amanhã!"
em cada perigo, um brilho
em cada canto vivo
em cada gota vive
frescor da manhã
em cada trilha
em cada peça, em cada linha
escalda pés, amarelinha
em cada escada minha
que a noite descanse
e de dia caminha
de dia, corre
de noite dorme
descansa a bunda que bateu
recolhe a alma no chapéu
derrama o verde
que colheu
solta o azul
junto do céu
guarda o descanso
junto aos seus
Sempre que a vida adulta nos faz passar por momentos graves
é preciso um momento agudo pra confundir
agudamente doce
agudamente eufórico
contra o peso de ser adulto,
um balão colorido
momentos graves e grandes
pedem pequenos bolos atos
defendi tcc e li um gibi,
constestei uma dívida e cantei debaixo da árvore
saco de balas
depois do saco cheio
para todo fim, um começo
ao corpo se espera o cerco
mas ele, pássaro cantareiro
em todo não, um sim
para todo ciclo, desfecho
para toda esquina, dobra
para cada quina, manobra
para todo sempre sobra
alguma coisa não dita
para toda luta um saber
para toda fruta, morder
e toda vida custa
o sabor de viver
sua mente é um caos
tão singular
sua mente, um cais
de um tão grande mar
bagunça, balbúrdia
guerra de travesseiro,
doces e travessuras
um ponto no tempo,
eterna onda em movimento
um som,
de escalada noturna
escala dó soturna
um dom,
de quem grita na rua
um porto,
de onde parte o vento,
onde chega a altura
onde pula o mundo,
onde cai, firmamento
pôr do sol meio dia,
pôr do lado de lá
pôr de cá, melodia
Te desejo:
Crises de riso diárias
(e se não for possível, uma a cada quinze dias)
Conversa absurda
sem filtro de senso
Dançar sem música,
movimento
Inventar um sonho,
passear por ele
Embalar de rede,
sempre que tiver vento
Um pouco de mar
(para ele se faz tempo)
Cachoeira sem mosquito,
com trilha amena
brilhos de álcool,
sem arrempendimento
descobrir caminhos,
reencontrar destinos
que se sinta amado
no pior momento
que se sinta livre
para ficar
o que seria o romance?
calda de chocolate no sorvete
dose extra de alpiste, mais glitter
para a dança, mais pique
o que seria o romance?
pipoca com mais manteiga
verão com brisa
inverno com lareira
banho de mar sem caldo
banho de rio sem pedra,
aquele vaso na janela
aquela flor na lapela
pequeno pingo que cai sem se saber
quentinho no peito, só de ser
o que seria o romance?
preso no eterno instante
solto no ar, levante
riso solto, canto livre
gargalhada admirada
belo, atrapalhado,
talvez brega e datado?
O que é o romance
tanto falado,
vendido, capitalizado
presente inesperado,
pôr do sol alaranjado?
cheiro de mato no concreto,
conversa na madrugada deserta
o que eu queria era você
conhecendo cada cantinho da vida
cada fresta,
do joelho, de pêlo, onde aperta
o que eu queria é uma densidade que vôa
avestruz voando, impo (a)ssível, feito abelha
conhecer
todas minhas roupas,
minhas ideias loucas
cada curva do ser
todos os sorrisos
os choros coloridos
os gozos de desviver
se conheceram e anoiteceram
no mesmo dia, feito milagre,
amanheceram
se conheceram e aconteceram
em outra noite, por milagre,
permaneceram
e foi de uma vez só,
como quem arranca curativo
e foi de uma vez só,
fez-se de um nó, laço bonito
foi de uma vez só,
gosto de infinito
Então, você vai fazer 40
puxa uma cadeira, senta
nada muda, nem lamenta
nada muda, talvez o olhar
de quem mal se sustenta
talvez você queira correr
já é metade, o meio
vai vida, dizer a que veio
talvez desacelere, satisfeito
bonito sou, já me aceito
me refaço, mesmo desfeito
então chegou, temido 40
o menino vai dizer: tudo isso tio?
o senhor vai dizer: que jovem!
vem o peso dessa grave palavra
não mais trinta, mas qua-ren-ta
não quer dizer nada, só metade de oitenta
brasiliense do plano piloto
do concreto sem sal
amplidão do horizonte,
sem mar no final
sou nortista da rede
neta de seringal
nordestina da sede
de praia e carnaval
sou mineira de prosa
fruta e roupa no varal
pão de queijo, docidileite
infância de quintal
amazonense do igarapé
do banho, cheiro de madeira
do medo de onça e jacaré
matrinxã, tambaqui, tucunaré
sou cearense carne de sol
carne ao sol do Futuro
Iracemar, sorvete de tudo
catarinense de pontes
trânsito lento, distúrbio
manezinha 'retada
de fala cantada
oio io, pra tudo
de chinelo, com orgulho
vergonha alheia do absurdo
venham todos, façam barulho
isso aqui é Brasil e gente não é entulho
tenho um amor primeiro
os outros serão fevereiro
tenho um amor enquanto
os outros serão portanto
tenho um amor inteiro
tenho um amor, saudade
tenho um amor cruzeiro
pelo mar da cidade
tenho um amor marinheiro
tenho um amor, de verdade?
tenho um amor ligeiro
tenho um amor, novidade!
te amo, você falou primeiro
surpresa, atônita
respondi um xoxo: aah, eu também
convencendo um total de
ninguém pessoas
e depois, de novo, e eu
disse (talvez ainda mais fraco)
o eu também, trazendo do outro lado um:
não precisa dizer o mesmo
(depois eu disse que disse o mesmo já antes indiretamente ou não diretamente em um poema que não mostrei, que me fiz de rogada, mandei um link perdido um mês atrás que ninguém abriu, você não viu?)
em tantas pequenezas
eu vi suas belezas
em tantas incertezas
eu vi nossa beleza
e tantas vezes já, que nem conto
estar com você é um eterno riso
seu pensar, meu encanto
e nestes pontos coloridos,
numa fresta do medo,
hei de dizer, eu mesma
sem atrito, sem ruído
um talvez primeiro tímido,
muitas vezes repetido
meu Eu te amo no ouvido
(mesmo sem ser percebido)
falado, gastado, escrito
sussurado, gritado, bendito
aos quatro cantos,
do quarto ou do mundo
aos quatro ventos ou restrito
não mais será contido
será cantado, exibido
sem carro de som,
mas com bumbo e caixa
sem carro alegórico,
mas confete e fantasia
sem fogos de artifício,
mas com vela e fogueira
sem samba enredo,
mas com porta-bandeira
Eu te amo todo dia
e a cada quarta-feira
Vai acabar, vai implodir, vai quebrar
Catastrófica
Não vai conseguir, não vai dar, vai terminar
suor, cenário impossível,
fim de mundo, taquicardia
Catastrófica
terra arrasada, distopia
a leveza ela mostra pro mundo
mas a bigorna a leva pro fundo
afogada, atropelada
assassinada, sem rumo
ca tas tró fi ca
vou sofrer, vou morrer
não vou conseguir, disritmia
vão me ferir, vou perder, vai partir
a leveza, ela leva pro mundo
por dentro, o absurdo
abismo profundo
Catastrófica
ela é latina, ela sente muito
ela disfarça, ela ri de tudo
o medo, esse senhor feio
para tudo e revira o meio
dor no estômago, o freio
soco no esôfago, desespero
respira, respira
não quebra tudo
não xinga nem bota a mãe no meio
desvira, des-quece
volta, desce
apaga o fogo
remenda a alma
nem era pra tanto,
calma
o meu caminho ninguém faz
se quebra tudo eu mesma junto
catastrófica paz
Tá bom que todo amor dá medo.
Mas isso aqui não é montanha russa.
É pular de pára-quedas sozinha pela primeira vez sem instrutor, avião velho dando medo até antes de pular, abaixo, floresta densa, fios de alta tensão, acampamento redpill, legendários subindo montanha, de um lado oceano Pacífico com tubarão, do outro, deserto da Austrália, cheio de bicho peçonhento.
E eu não ganhei um boa noite
Eu queria a um rio
sinuoso, livre
desaguando sempre em mim
Eu queria a brisa
entre árvores, leve
sussurre sempre sim
Eu queria o fogo
de quem se atreve
a amar sem fim
Eu seria uma colina
dispersa neblina,
caindo chuva fina
com cheiro de capim
ele veio, comunitário
ela veio, papagaio
tem na veia um dicionário
alma de utilitário
todos juntos, orquidário
cada beleza, um ser
ela veio, plenário
fala muito pra entender
esse amor nada ordinário
como posso receber
fujo ou vou adiante
é pra mim ou é distante
essa ideia de querer
fui eu, toda confiante
me achando diamante
quando a mina, abundante
tinha mais a oferecer
ele veio, impactante
ela pousou, pássaro intrigante
tentando entender
ele veio, código aberto
ela pensou, isso é muito incerto
eles vieram, verão
verão inverno?
é torto, concreto
arejado, desperto
esses encontros, de perto
eles vêm como têm de ser