Eu queria a um rio
sinuoso, livre
desaguando sempre em mim
Eu queria a brisa
entre árvores, leve
sussurre sempre sim
Eu queria o fogo
de quem se atreve
a amar sem fim
Eu seria uma colina
dispersa neblina,
caindo chuva fina
com cheiro de capim
Só para fazer um trocadilho mesmo.
Eu queria a um rio
sinuoso, livre
desaguando sempre em mim
Eu queria a brisa
entre árvores, leve
sussurre sempre sim
Eu queria o fogo
de quem se atreve
a amar sem fim
Eu seria uma colina
dispersa neblina,
caindo chuva fina
com cheiro de capim
ele veio, comunitário
ela veio, papagaio
tem na veia um dicionário
alma de utilitário
todos juntos, orquidário
cada beleza, um ser
ela veio, plenário
fala muito pra entender
esse amor nada ordinário
como posso receber
fujo ou vou adiante
é pra mim ou é distante
essa ideia de querer
fui eu, toda confiante
me achando diamante
quando a mina, abundante
tinha mais a oferecer
ele veio, impactante
ela pousou, pássaro intrigante
tentando entender
ele veio, código aberto
ela pensou, isso é muito incerto
eles vieram, verão
verão inverno?
é torto, concreto
arejado, desperto
esses encontros, de perto
eles vêm como têm de ser
o avesso do avesso
é o certo?
o avesso, do avesso
do avesso, do avesso
como diz na canção,
que não é do Roberto
eu aceito como sou
eu aceito como és
mas queria puxar
um pouco pra lá,
um tanto pra cá
para ficar mais fácil
da gente dançar
Tem outra também,
Djavandiz "é surpresa demais que trazes"
mas eu não torço pra nenhum time, como faz?
Fevereiro, Brasil. Você sai e tropeça em um carnaval. Opa, nem te vi aí.
São tantos micro carnavais. Em cada bar uma pessoa fantasiada, em cada esquina um vendedor ambulante com funk na caixinha de som e uma pessoa que não precisa muito mais para dançar como se não houvesse amanhã.
E não há. Há uma liberdade em saber que não há.
Carnaval não é uma festa para amanhã. É para o hoje, agora. É de ontem, para quem planeja desde o ano passado e para quem comprou ontem o glitter. Mas nunca de amanhã.
Há uma alegria presente em quem sabe que o amanhã vai ser igual semana passada. Mesmo trabalho, mesmas obrigações, mesmo trânsito, mesmas contas. Se amanhã é igual ontem, ele existe? É um real amanhã?
Mas então tem o hoje. Colorido, brilhante, possível, estranho, intenso. A ele chamam carnaval.
P.S: Consequências do carnaval não são o carnaval. ;)
Que o sol não te derreta
Que de muito você não se esqueça
Que não te façam nenhuma mutreta
Que no trabalho nehum problema apareça
Que minha falta não te enlouqueça 🤪
Namorando, se tira o N (tira logo a minha letra?)
fica amorando, o gerúndio de amor
gerúndio, porém, é uma palavra muito feia
Girino, o gerúndio. Não 'pera.
Gerúndio, o girino
Tira essa palavra feia do meu poema
Volta. Começa de novo.
.......
Já viu, não sei porque chama assim,
Mas o N + amorando faz
Namorando
amorando sendo o ato contínuo
de amor
amora + morango
eu estou amorando estar aqui
amorando o dia
amorando as noites
amorando (com poucos hiatos), você
vontade de te esmagar,
vontade de te apertar,
comer cada pedacinho
lamber os dedos,
vontade de morder,
já vem pronto,
massa fina servida
comer de garfada
mais uma vez eu quero
nada começa de poema
mas poemar é pôr
pena de vôo
era só um pensamento,
quando eu vi, rimou
porque voou
saiu do meu lado
de onde veio, cifrado
nada começa rima
tudo, contínua música
nada começa leve
tudo, voa afinado
tudo começa breve
nada o mar ao meu lado?
conversar é dobrar esquinas
se arrepender de virar,
se perder ou se achar
formar uma nova guarida,
alugar um triplex na quadra,
ou sentir um vento gelado
vindo de outra avenida
também sentir medo ou encantamento
admirando paisagem-pensamento
tem ideias, mesmo sem fundamento
de glitter com fermento
cresce, explode e virão outras
tem troca de ideia que faz lua nova
crescente de vida
as horas se estendem longas
puxando o novelo do dia
as horas passaram curtas
nessa breve melodia
e já nem sei se foi hoje ou amanhã
esse cheiro de poesia
é para deitar ou só descansar um pouquin?
crushão dá vontade de ficar
mas crushonete é leve de carregar
é crush de mastigar pedra
ou batata crocante
é acrushego ou sem sossego?
é crush de bola de chiclete
ou de vidro -crush!- no chão?
crush de fruta laranja vivo
vento fresco no ouvido
tem gente assim, ó
que escreve uns negócio
bonito que só
dá uma rasteria no português sem dó
fica na garganta um nó
o pensar sai do sossego
viaja a muitos nós
a gente amanheceu em sol
o verbo se abriu em flor
e o verso desabrochou
nesse pequeno canto colorido
nesse pequeno grande dia
nesse instante leve, fruta vento
nesse momento de alegria
hoje ou amanhã,
quanto tempo
ave ou avenida
pomar ventania
vou fazer uma rima rimar lá longe
onde o tempo se inicia
Passear com o Tilim
dormir mais um pouquim
caminhar tirando foto
nem aí pro movimento
batucar a música
sem ritmo no tempo
sentir a noite entrar
janela afora
notícias, com parcimônia
enquanto a roupa seca
Escrever o que vier à tona
e ficar muito à toa
ler o livro iniciado
usar meus trocados
ou não gastar nenhum centavo
para ficar de pijama, ou pelado
sentir a brisa da manhã
ouvir um belo xaxado
esticar as pernas, sentir o tempo
passar dia adentro
sair, tomar café,
quando o sol baixar
funciona assim:
estava pensando em você
e saiu esse poema
minha mão foi deslizando
pela folha, pelo tema
pensei em você
e o poema aconteceu
Porra, Emicida, era só uma sexta à tarde. Estava aqui ouvindo música para passar meu último dia antes das férias de verão. Era só uma playlist de novidades e eu comecei a ouvir sem suspeitar a sua música. achei interessante porque tinha o nome da sua mãe recentemente falecida entre os nomes dos cantores. Pensei, olha, será que ela também cantava e eu não sabia.
e aí, era a música da poesia. era a música - voz da mãe em momentos de agonia. E também nos de alegria. Eu pensei no privilégio que é ter tido mãe neste tempo de gravações de áudio, de vídeo, tão recorrentes, nas mãos de todos. Antes, lá quando minha mãe vivia, nunca tivemos câmera de vídeo, gravações de aúdio eram só os recados de caixa postal. Eu lembro que a gente nunca ouvia. Mas um tempo depois eu resolvi escutar um perdido, e era minha mãe, falando "ei, rueira, vem para casa, tem vatapá".
Eu não salvei. Nem sei se faria diferença isto hoje. Na hora pensei: deixo aqui, para relembrar, ou apago para não doer. Salvar vai doer ou vai alegrar? Eu era ainda muito jovem para ter esta maturidade de pensar não só na perda, mas no privilégio de ter tido. De ter sido filha e não só convivido com uma pessoa tão iluminada. E da sua voz linda e cheia de vida, optei naquele momento por apagar e matar também no celular uma voz que eu nunca mais ia ouvir. Hoje talvez eu não conseguiria nem transformar para outro formato ou passar para outro telefone. Tantas tecnologias em mais de 20 anos.
Mas o jeito dela falar, esta linda homenagem, também me fizeram chorar, de novo. Reconheci no jeito de Dona Jacira um tanto da minha mãe, um tanto desta graça brasileira, um tanto de coração de mãe com um quanto de arte. Quando a gente pensa que a saudade já é um buraco pavimentado, vem saudade em modo maior e transborda a poça d'água embaixo de volta pra nossa vida.
Então, porra, que saco, e ao mesmo tempo obrigada, Emicida.
eventos extremos, temos
agora todo dia
vento, chuva, raio
e tudo mais
qualquer evento agora é demais
vira de novo,
calor, sol, abafado
qualquer um vê que o tempo
tá todo errado
Pareço limpinha, mas não lavo direito minhas canecas de café
(se vai sujar de novo da mesma coisa de beber...)
Pareço ateia, mas em tanta coisa boto fé
(se ver tanta beleza e história boa de crer)
Pareço à toa mas mesmo sem limpar o note
eu lembro de soprar as teclas
Pareço pudica, mas talvez diga o contrário
alguma coisa escrita
Eu nunca mais bebi algumas vezes também
Eu nunca mais vou responder já disse vários oi,
tudo bem?
Pareço rígida mas tem umas palavras bonita
que escuto nas músicas e me deixam boba
mais mole que maria
Eu nunca mais serei feita de trouxa
não levarei mais minha alegria
onde me retornam antipatia
mas falei e já esqueço
e me encanta outra fantasia
Parecem aqui dois poemas
que misturei à revelia
Pareço nunca mais
acreditar no que dizia