para eu ser um bilionário
todo mundo toma no c*
e meu funcionário
vai trabalhar na 6x1
o meu sonho é ter o meu trilhão
você moleque querendo comprar pão
pra todo bilionário
o pobre é vagabundo
e muito pobre otário
acha bonito os donos do mundo
Só para fazer um trocadilho mesmo.
para eu ser um bilionário
todo mundo toma no c*
e meu funcionário
vai trabalhar na 6x1
o meu sonho é ter o meu trilhão
você moleque querendo comprar pão
pra todo bilionário
o pobre é vagabundo
e muito pobre otário
acha bonito os donos do mundo
foi ontem
e há mil anos
flor de sempre
eterno agora
te conheci tanto pouco
tão muito
quero soltar bem juntinho
me liberar para voltar
foi só um aceno
assinado e certo
e só uma pedra
com peso de pena
é só uma pêra
um piso de pó
deixando rastro bonito
da luz que um dia foi
da cor que sempre é
vai ficar no meu caminho
para agora e depois
presente eu gosto de todo jeito
o dados sem jeito, os programados, os surpresa
pequenos envergonhados ou grandes inesperados
se me dizem que o presente é estar presente,
já olho desconfiado
dá presente quem esteve presente
ouviu e lembrou de você quando viu algo
aquilo ia ajudar, disto ela podia gostar
dar presente é ter estado presente
e querer continuar
é mostrar que o outro importa
e está presente em você
todo presente é retornar um pouco do outro
presente em você
Eu li outro dia ou ouvi um post, não lembro, que o amor é dar o que nos falta. No início me pareceu uma frase feita somente para confundir a mente de mortais desocupados (ou ocupados em procrastinar) procurando inspiração no Instagram.
Eu dou o que me falta. Bonito, poético, ninguém entende porra nenhuma e finge que entende? Ou a gente entende poeticamente falando, tentei entender o conceito. Amar então seria mostrar e ver aquele espaço vazio seu e do outro. As falhas e as faltas. Novas, velhas e de sempre.
Talvez então por isso eu aprendi amar mesmo quando tive estes pedaços arrancados de mim. Numa observação meio rasa da vida, percebi grandes alegrias em pessoas com grandes dores, uma revolta bonita transformando dor em riso. E enão percebi que sinto mais, disfarço menos, ligo menos, não só pela idade, mas pelas perdas, pelos buracos gigantes de alma e pelos pedaços também de corpo que me foram arrancados.
bolha de sabão
pirulito
bala azeda
quero um pouco de cada
quero uma correnteza
quero um pouco de casa
em uma nova beleza
cheiro de mato, passarinho,
quero um pouco de doce
de natureza
de com força
de com gosto
de mão e contramão
de hoje, amanhã, daqui a pouco
de ontem, anteontem, caminhão
de rio, de mar, de paisagem,
de rua, de trânsito, cidade
de passagem, de sempre,
de sim e de não,
de imprevisto e de antemão
te amo portanto
cada dia mais um pouco
nunca diferente, nunca igual
sempre fiel ao tão louco
e sensato coração
eu não tenho um canto
pra chamar de conto
meu canto só anda
de verso e parte
não é mais inteiro
feito antes
eu não tenho conto
que eu chame de canto
e transforme em prosa
algum desencanto
eu não tenho
300 palavras
hão de brotar por encanto
por enquanto
Que veja a vida como um tobogã
dói a bunda e dá medo
mas você quer ir de novo
"como se não houvesse amanhã!"
em cada perigo, um brilho
em cada canto vivo
em cada gota vive
frescor da manhã
em cada trilha
em cada peça, em cada linha
escalda pés, amarelinha
em cada escada minha
que a noite descanse
e de dia caminha
de dia, corre
de noite dorme
descansa a bunda que bateu
recolhe a alma no chapéu
derrama o verde
que colheu
solta o azul
junto do céu
guarda o descanso
junto aos seus
Sempre que a vida adulta nos faz passar por momentos graves
é preciso um momento agudo pra confundir
agudamente doce
agudamente eufórico
contra o peso de ser adulto,
um balão colorido
momentos graves e grandes
pedem pequenos bolos atos
defendi tcc e li um gibi,
constestei uma dívida e cantei debaixo da árvore
saco de balas
depois do saco cheio
para todo fim, um começo
ao corpo se espera o cerco
mas ele, pássaro cantareiro
em todo não, um sim
para todo ciclo, desfecho
para toda esquina, dobra
para cada quina, manobra
para todo sempre sobra
alguma coisa não dita
para toda luta um saber
para toda fruta, morder
e toda vida custa
o sabor de viver
sua mente é um caos
tão singular
sua mente, um cais
de um tão grande mar
bagunça, balbúrdia
guerra de travesseiro,
doces e travessuras
um ponto no tempo,
eterna onda em movimento
um som,
de escalada noturna
escala dó soturna
um dom,
de quem grita na rua
um porto,
de onde parte o vento,
onde chega a altura
onde pula o mundo,
onde cai, firmamento
pôr do sol meio dia,
pôr do lado de lá
pôr de cá, melodia
Te desejo:
Crises de riso diárias
(e se não for possível, uma a cada quinze dias)
Conversa absurda
sem filtro de senso
Dançar sem música,
movimento
Inventar um sonho,
passear por ele
Embalar de rede,
sempre que tiver vento
Um pouco de mar
(para ele se faz tempo)
Cachoeira sem mosquito,
com trilha amena
brilhos de álcool,
sem arrempendimento
descobrir caminhos,
reencontrar destinos
que se sinta amado
no pior momento
que se sinta livre
para ficar
o que seria o romance?
calda de chocolate no sorvete
dose extra de alpiste, mais glitter
para a dança, mais pique
o que seria o romance?
pipoca com mais manteiga
verão com brisa
inverno com lareira
banho de mar sem caldo
banho de rio sem pedra,
aquele vaso na janela
aquela flor na lapela
pequeno pingo que cai sem se saber
quentinho no peito, só de ser
o que seria o romance?
preso no eterno instante
solto no ar, levante
riso solto, canto livre
gargalhada admirada
belo, atrapalhado,
talvez brega e datado?
O que é o romance
tanto falado,
vendido, capitalizado
presente inesperado,
pôr do sol alaranjado?
cheiro de mato no concreto,
conversa na madrugada deserta
o que eu queria era você
conhecendo cada cantinho da vida
cada fresta,
do joelho, de pêlo, onde aperta
o que eu queria é uma densidade que vôa
avestruz voando, impo (a)ssível, feito abelha
conhecer
todas minhas roupas,
minhas ideias loucas
cada curva do ser
todos os sorrisos
os choros coloridos
os gozos de desviver
se conheceram e anoiteceram
no mesmo dia, feito milagre,
amanheceram
se conheceram e aconteceram
em outra noite, por milagre,
permaneceram
e foi de uma vez só,
como quem arranca curativo
e foi de uma vez só,
fez-se de um nó, laço bonito
foi de uma vez só,
gosto de infinito
Então, você vai fazer 40
puxa uma cadeira, senta
nada muda, nem lamenta
nada muda, talvez o olhar
de quem mal se sustenta
talvez você queira correr
já é metade, o meio
vai vida, dizer a que veio
talvez desacelere, satisfeito
bonito sou, já me aceito
me refaço, mesmo desfeito
então chegou, temido 40
o menino vai dizer: tudo isso tio?
o senhor vai dizer: que jovem!
vem o peso dessa grave palavra
não mais trinta, mas qua-ren-ta
não quer dizer nada, só metade de oitenta
brasiliense do plano piloto
do concreto sem sal
amplidão do horizonte,
sem mar no final
sou nortista da rede
neta de seringal
nordestina da sede
de praia e carnaval
sou mineira de prosa
fruta e roupa no varal
pão de queijo, docidileite
infância de quintal
amazonense do igarapé
do banho, cheiro de madeira
do medo de onça e jacaré
matrinxã, tambaqui, tucunaré
sou cearense carne de sol
carne ao sol do Futuro
Iracemar, sorvete de tudo
catarinense de pontes
trânsito lento, distúrbio
manezinha 'retada
de fala cantada
oio io, pra tudo
de chinelo, com orgulho
vergonha alheia do absurdo
venham todos, façam barulho
isso aqui é Brasil e gente não é entulho
tenho um amor primeiro
os outros serão fevereiro
tenho um amor enquanto
os outros serão portanto
tenho um amor inteiro
tenho um amor, saudade
tenho um amor cruzeiro
pelo mar da cidade
tenho um amor marinheiro
tenho um amor, de verdade?
tenho um amor ligeiro
tenho um amor, novidade!
te amo, você falou primeiro
surpresa, atônita
respondi um xoxo: aah, eu também
convencendo um total de
ninguém pessoas
e depois, de novo, e eu
disse (talvez ainda mais fraco)
o eu também, trazendo do outro lado um:
não precisa dizer o mesmo
(depois eu disse que disse o mesmo já antes indiretamente ou não diretamente em um poema que não mostrei, que me fiz de rogada, mandei um link perdido um mês atrás que ninguém abriu, você não viu?)
em tantas pequenezas
eu vi suas belezas
em tantas incertezas
eu vi nossa beleza
e tantas vezes já, que nem conto
estar com você é um eterno riso
seu pensar, meu encanto
e nestes pontos coloridos,
numa fresta do medo,
hei de dizer, eu mesma
sem atrito, sem ruído
um talvez primeiro tímido,
muitas vezes repetido
meu Eu te amo no ouvido
(mesmo sem ser percebido)
falado, gastado, escrito
sussurado, gritado, bendito
aos quatro cantos,
do quarto ou do mundo
aos quatro ventos ou restrito
não mais será contido
será cantado, exibido
sem carro de som,
mas com bumbo e caixa
sem carro alegórico,
mas confete e fantasia
sem fogos de artifício,
mas com vela e fogueira
sem samba enredo,
mas com porta-bandeira
Eu te amo todo dia
e a cada quarta-feira