25 de dez. de 2025

à revelia

 Pareço limpinha, mas não lavo direito minhas canecas de café

(se vai sujar de novo da mesma coisa de beber...)


Pareço ateia, mas em tanta coisa boto fé

(se ver tanta beleza e história boa de crer)


Pareço à toa mas mesmo sem limpar o note

eu lembro de soprar as teclas


Pareço pudica, mas talvez diga o contrário

alguma coisa escrita


Eu nunca mais bebi algumas vezes também

Eu nunca mais vou responder já disse vários oi,

tudo bem?


Pareço rígida mas tem umas palavras bonita

que escuto nas músicas e me deixam boba

mais mole que maria


Eu nunca mais serei feita de trouxa

não levarei mais minha alegria

onde me retornam antipatia


mas falei e já esqueço

e me encanta outra fantasia


Parecem aqui dois poemas

que misturei à revelia


Pareço nunca mais

acreditar no que dizia

22 de dez. de 2025

tentando trabalhar no dia 22 de hohoho papai noel dezembro


Reunião até as 09:30. Ver mensagens, ver Linkedin. 

Não comi, acabou café requentado, passar café, comer resto de bolo

chega irmã para passar final de ano, tem que dar um pouco de atenção

servir café, renegar última fatia de bolo de rolo


filho vai vir, o que almoçar? não vai vir, então descongela comida que ele não gosta

que bom, minha irmã come de tudo, vai gostar

mas microondas não funciona, tem de requentar descongelando. 

máquina também dando defeito, cuida, arruma com jeito para não quebrar


agora senta de novo pra trabalhar, pera

cachorro fez xixi na sala, no sofá e na visita sentada

Tilim, não é assim que trata visita! Numa ele mija, na outra vomita


Limpa chão, empresta toalha. Tá pronta a comida, senta para almoçar

Olha a hora, tem hora de almoço para acabar, tem uma pessoa que vem buscar

o cachorro para a veterinária. Almoçar em 20 minutos, uber pet lá em baixo


Entrega cachorro, volta o filho, também descemos pra buscar

Mensagens sobre o Naatal, quem tem pirex para emprestar

Mensagem de viagem, quando vai ser, quem vai estar


O trabalho lá quietinho, não consigo voltar

Depois tem a psicóloga do filho, não pode faltar, é remoto

mas isso quer dizer que tenho de sair para ele falar


Não cabou o dia, mas já posso surtar? 

Dia Hohoho 22 de papai noel dezembro


Daqui a pouco trabalhar no dia Hohoho 22 de Papai Noel dezembro. 

Não são nem 9 horas e já faz 28 graus lá fora

Além de trabalhar ainda gastando luz pra ligar o ar


Também tenho um crime para confessar

talvez pior do que adoçar

requentei café de ontem, podem julgar



19 de dez. de 2025

quantas desilusões curam a rima?


desde que comecei a sonhar de novo

a rima não me larga mais


quero fugir dela, tiro o óculos

assim não começo o gancho


a mente responde: - Tanto faz,

não preciso óculos para seu garrancho.


Fala alguma coisa sem rima, 

seu chato maldito.


Cérebro, eu te interdito

vou te internar,

anestesiar com pirulito


tirar à força essa memória

com tequila, sem história

ficar anêmica de tanto dar

curar com ferro e carne (que tem B12)

12 é um bom número, pra começar

vamos emputecer pra passar


quantas desilusões curam a rima?

ou será minha sina, 

só piorar?

sustinho na pobreza

A gente tenta dar um susto na pobreza, mas o resto da vida não sustenta. 

O café da promoção tem nome francês, porque para o bom colonizado brasileiro, o requintado tem de ser estrangeiro, ou soar assim, mesmo sendo o Brasil famoso por seu café, e não a França.

Mas aí todo o resto é capenga. A água não filtrada vai direto para a chaleira. A chaleira é de alumínio, com esmalte desgastado igual dona de casa que lava louça sem luva e calcinha na mão para não estragar a renda. 

E então o café de nome francês, que tem propaganda com ouro em pó, parece igual um bem médio qualquer. A pobreza pensa: não pode ser, deve ser o resto capenga. A água, a chaleira, o coador de plástico laranja. Talvez a quantidade de pó, a temperatura da água, a validade do pó. Vale nada, já descobri.

5 de dez. de 2025

"vamos nos falando"

são eles te cozinhando

cada maria, em um banho


cada panela, uma boca do fogão

sem tempo, irmão

Maria também tem orgulho

e sabe responder não

pra quem não faz tanta questão


se é horário nobre do princeso

quem somos nós pra atrapalhar

tão disputada agenda

fica cada um por si, no sossego


e vai cada um pro seu lado, 

de contramão


prazer em conhecer

não estou aqui pela sua beleza

me diz quantos sentimentos

e se tem sobremesa


não estou aqui pelos seus bens

me diz se tem molejo

quero ver se dança bem


não estou aqui pelo seu cargo

me diz se tem tempo

para curtir pele ao vento


não estou aqui por sua herança

quero saber o olhar que lança

como se porta quando tenta


não estou aqui por nada

escolhendo minha salada,

prazer em conhecer

E o ano foi-ce

e o amor, foi-se pra onde?


e as promessas foram-se vagas

rasas e vazias


nada além de inútil poesia


e o dia amanheceu-se

cinza, apensar do sol

bonita, a pesada nuvem


e o dia escureceu-se

azul, apesar de cinza


novembro 2025

30 de nov. de 2025

quem foi essa menina?

depois de alguns anos

entrar naquele link empoeirado da teia


vai lembrar quem era?

foram tantas outras, 

foram tantos anos

ou foram só dias?


que cheiro tinha?

foi em que vida

a despedida

era santa ou putinha?


esse tanto de escrito

foi só pra mim 

já era antes

ou começou no fim?


eu fui sem olhar para trás

ou exitei na esquina?


foi longo, durou quanto

era mulher ou menina?


foi intenso ou foi morno

eu tava por alto

ou ela por cima?


foi dia ou foi noite

me trouxe sorte

ou mau agouro?


quem foi essa menina?


era alta, era baixa

cabeluda ou depilada

engraçada ou ranzinza


tanto faz, tá apagada

tira essa teia do dedo

fecha estas páginas viradas


pela fresta

nada melhor para poesia

do que ser dispensada


nada melhor para a rima

que ser friamente descartada


nada rende melhor verso

que uma bonita renda

abruptamente desfiada


nada melhor para um poeta,

ser deixado no escuro

a mente faz uma festa

triste e caótica,

mas ainda festa (presta?)


de uma porta fechada

poeta não acha janela

mas um livro todo

ele tira da lapela

Seguirei a pé

Ficou tanto não dito.
Pêlos aflitos

Ficou tão estranho,
este sentir tacanho


tão imperfeito, tão torto
e tão humano

Nem um tchau, nem um cansei,
nem um: -Basta!, voltei pra ex

não vai ter cena de ciúme,
não vai ter vidro de perfume

não vai ter bolo, nem café
só vai ter fome.

Seguirei a pé


nem boa noite, nem bom dia

Mas que grosseria
nem boa noite, nem bom dia

Quando se vê, tudo esfria
você se pergunta: eu deveria?

Para onde a gente ia

A vida é cheia de ironia
você nem sabe se queria

mas ainda tem um sonho, espia,
um orgulhoso com outro não se cria

quem irá sair deste estado de apatia
romper o silêncio, voltar a harmonia

quem irá buscar de volta a alegria
de uma simples sintonia

28 de nov. de 2025

mesa posta

ficou posta a mesa
um tantinho de café, frio
ainda jaz na xícara

ficou posta a mesa,
aguardando explicação

Ficou posta na mesa,
prostrada em confusão

ficou posta a mesa,
as moscas virão.

O que acconteceu?
um mandado de prisão?

Ficou posta a mesa
aguardando conclusão

ficou posta a mesa 
já posso tirar?
estão servidos?

o que foi esse bolo comido
esse pão amanhecido
de lágrima?

era só isso?
Se deixar na mesa, 
não estraga?

é pra guardar na geladeira
ou na lata de lixo?

era só isso?
acabou o café,
não tem mais nada?

Ficou posta a mesa
o fugitivo já vai na estrada

19 de nov. de 2025

já cresceu?

 Caio fez um bolo melhor que o meu

quando foi que esse menino cresceu?


Alguém viu, ou foi só eu?

Passou assim, de solavanco, e nem doeu

Quando foi que esse menino cresceu?


Tem buço e ombro alargando

mas ainda tem cosquinha

o menino se esvai, devagarinho


quando a criança desapareceu?

quando piscar já foi, já deu

era um menino, já cresceu

16 de nov. de 2025

sorriso-infância

se eu não te conhecia,
como reconheci
no seu sorriso,
                   infância?


estaria você, no fundo
se recusando a se adaptar
                            ao mundo?


é o que tem pra hoje, se vira, aceita, enfim.
Tá bom, vou crescer, seguir o roteiro
mas você vai ver, não vão matar tudo isso
                                                          em mim


os outros vão sorrir feito adultos
o sorriso educado, construído
eu vou continuar sorrindo
                                        assim


luz aparecendo na madrugada
sorriso-infância clareia o dia
faz mais fácil seguir estrada


6 de nov. de 2025

Não. Minha diversão não serve para nada.

só gosto de arte ou artesanato bem inúteis, tipo poesia, colagem, boneco de papel 

ah, mas você gosta de moda. Sim, só da parte de desenhar a roupa, imaginar looks, fazer composições, harmonizar. Fazer molde ou costurar? não. 

e já é tanta cobrança para você ser útil na vida, como se essa fosse a vida. 

Contribua para o grande mundo capitalista ou seja ninguém

cozinhe, limpe, construa, avance, cuide, escreva artigos,

plante para futuras gerações, e não só o seu alimento, 

mas também plante o seu, também semeie, também lute


na hora da diversão ainda querem algo útil

seu "hobby" ou passatempo também será mais bem visto se envolver ler, mas auto ajuda, ou algo técnico da sua área

ler literatura? ai que elitizada, ai que metida a intelectual, ai pra quê?

Porque é pra DIVERSÃO, não é pra ser útil! 


"E para que eu vou usar isso" é a grande questão! Para NADA! é de bonito, de enfeite, de penduricalho, de acumulador de poeira na p*rra minha sala de estar! 

Diversão não serve para NADA. Arte não serve para NADA. E por isso são maravilhosas! 

Olha que lindo, no tempo livre ela faz horta, limpa as praias, nossa, que pessoa incansável (pálpebra tremendo)

Quando você fala que toca algum instrumento, ou canta, ou escreve, ou desenha, ou pinta...já chovem os ..ah, mas já tentou vender, já teve banda, já ganhou dinheiro com isso? Se não é algo útil, ao menos para ganhar dinheiro tem que ter servido. Não? 

Não. Minha diversão não serve para nada. 


3 de nov. de 2025

e ele me faz o arco-íris

às vezes tem mais vida dentro da gente 

do que a gente consegue


às vezes tem mais vida dentro da gente

do que eu possa explicar


às vezes tem mais vida dentro da gente

do que dá pra viver


às vezes tem mais vida dentro da gente

do que o tempo pra ela


às vezes tem mais sonho na vida

do que ela consegue


miro a lanterna para o espelho

e ele me faz

o arco-íris


tenho mais vida aqui dentro

do que a vida consegue


tenho mais sonhos voando

que a alma persegue


tenho mais vida aqui dentro

que meu tempo concede

essa dose de luar

tome esse gole

essa dose de luar


enquanto todos ainda dormem

e não lhes pode assustar


toma esse vinho, 

essa água, esse mar


de uma vez

por todas


tome a vida para si

de si


de sino, de sina

de luar


tome essa ajuda

essa amiga, essa lida


leia a poesia

escute a música


tome essa vida, essa mágoa

essa sua


tome essa ausência

de esperar


tome essa vida, essa água

essa sua


tome essa vida

esse sentir,

sua


Antes que esqueça 

de luar


tome este vento,

tome este mar


O que há de ser, 

engula


o que vai, 

o que foi

o que será

15 de out. de 2025

frowning

o mês começou ontem e amanhã já tá na metade

eu saí da adolescência ontem e hoje sou de meia idade


eu inventei um sentimento ontem e amanhã já acabou

guardei um pouco de dinheiro, mas um golpe já levou


passou, passou, o balão já furou

9 de out. de 2025

Tilim, o monstro: parte 3: Monstros também têm medo


olhos arregalados, Tilim fica parado

ou arreganha os dentes, assustado

Quem é o monstro do monstro, com força para sacudir, apertar, usar de pano de chão?

Um monstro maior e mais temido, inteligente e atrevido


Caiossauro, caiolino ou lindão, 

por muitos nomes ele é chamado

faz Tilim, o monstro, latir e rosnar; 

entendendo o sentido de "vida de cão"


Mas não se faz de rogado, Tilim, o monstro, é corajoso,

Mesmo em tamanho defasado,

Tilim, o monstro, usa os dentes afiados

para deixar muitas marquinhas no adversário belicoso

Tenho que organizar uma lista de tudo que eu tenho de organizar quando eu tiver aquele tempo que eu nuca me organizo pra tirar

se eu estou sem trabalhar, ainda tem a casa pra limpar, atenção aos amados para dar, eventos a passear

quando tira tempo para organizar?

a caixa, a gaveta, as doações, a maçaneta

até a diversão tem que organizar: quando tira férias, quem fica com o filho, que dia pode, que horas começa?

como vai chegar, é caro o uber? e se chover, tem marquise, tem cadeira, tem ingresso?

o cartão virou, vai ter dinheiro, vai levar bolo, quem pode ir, sem pressa.

nossa, é só chegar, porque se estressa 

7 de out. de 2025

dicionário informal de mídia para jovens senhores e senhoras desavisados

podcast: programa de rádio que não passa na rádio. alguns são filmados, mostram o apresentador, que não é radialista, falando no microfone, que pode parecer o de rádio, ou ser segurado na mão, ou ser o do notebook com aquele eco de banheiro horroroso. 

streaming: a nova tv, ou o novo rádio, ( chama streaming de vídeo ou streaming de áudio) mas você paga para assistir. Antes não tinha comercial, agora tem, mesmo pagando mensalidade. Se você pagar mais ainda não tem. Você escolhe o conteúdo e quando quer parar, mas continua sem escolher a propaganda. 

Alguns streamings de vídeo lançam os episódios um por um de uma série, que nem novela ( tem novela lá também!) o que gera muita reclamação, outras lançam tudo de uma vez, e também tem gente que não gosta porque não tem auto controle e vê tudo de uma vez, sem conseguir dormir quando a série é boa. 

Tilim, o monstro. parte 2 - o banquete

O mais elegante comedor de papel de bunda,

Tilim, o monstro, cruza as patas dianteiras,

logo após se fartar com seu banquete:

lápis de cor rosa, canetinha azul, enchimento de pelúcia,

um pouco de sofá.


A nutricionista recomendou um prato colorido,

E ele então complementa: papelão marrom,

plástico preto e nota fiscal, que ele rejeita

(a tinta da registradora não agradou)

prefere uma guache verde, talvez um post-it


aqui em casa todos são poetas, e se alimentam de versos

Tilim come minhas anotações aos pedacinhos, degustando cada letra.

e depois as solta ao vento, colorindo o chão e o ventre


Tilim, então, vai roer uma tampa, talvez um olho de brinquedo,

espera irritar para que corram atrás dele, mas a gente já faz a conta,

se salvar vale a pena. E depois ele se deita, descansado e desistente

Tilim, o monstro, vira bola, aninhado no colo da gente


1 de out. de 2025

Tilim, o monstro. parte 1

dia tava tranquilo, curtindo a paz do dia nublado

quando parece que o mundo, tá descansado

e não clamando por campos floridos. 


Agora meu caderno está tingido

Com cheiro de café vencido,

Graças a Tilim, o monstro

o mais fofo cachorro fedido

30 de set. de 2025

roda e avisa. um minuto pro caos

Porque a roda-vida carrega a roseira

mas não carrega as goteiras pra lá?


Mas eis que chegasse a roda-viva 

e resolvesse a vida

porque já não tenho de onde tirar


a sorte ou falta dela é uma senhora

com muito o que inventar

tratoreia os otário tudo

sem sair do lugar


roda moinho

moída de remar

roda peão cansado

[não tem mais nem este programa]

e volta pra trabalhar

23 de set. de 2025

como faz

 o vizinho escuta música alta, 

mas não dá pra reclamar

porque é Djavan


cachorro pula no colo

mas não dá pra reclamar

porque é inverno


fui esmagada

mas não dá pra reclamar

porque é um abraço 

16 de set. de 2025

segura a onda da chatice

mas que feio criticar

poema que fazem pra gente

assim não deixa vingar

a beleza da semente 

a rima certa é aquela

onde se fala o que sente


segura a onda da chatice

não é correto a cretinice

pobre é a sua tolice

vou fazer a minha rima

conforme eu mesma disse

pobre da ilha sem transporte ou pobre na ilha não se move

se tivesse um barquinho

e soubesse pilotar

a gente ia bem rápido

do sul pra Palhoça


nessa ilha sem transporte

o mar só serve pra esporte


daqui da janela eu vejo

mas pra  chegar vai com sorte

2 ou 3 horas de sacolejo

de espera, para, sobe

desce, espera, corre


se perder já era, amanhã talvez

esse mar não tá pra pobre

não tem carro, não tem vez

 Aqui, sono

Tempo nublando de segunda

Cansada, moribunda


Aqui, criança, só tem uma

Mas tem cachorro

tem dor no corpo

tem esforço

desegunda

13 de set. de 2025

faz favor né


Princesa é sua sobrinha!

Não gosto de monarquia


Mas se insiste na alegoria

Com certeza sou rainha

12 de set. de 2025

como eu sou como eu me sinto - tô em app e não minto

toda remendada,

requenguela,

requentada,


toda desmiolada,

desmedida,

ressentida


quem vai querer?, 

não tá vendida!


toda encantada,

exagerada,

imprevista


toda inventada

mas real 

esquisita


quem vai querer?

é enrolado,

mas tem vista


posta a foto de biquíni

de revista

na vitrine


toda construída,

criticista

humorista


quem vai querer

peça única 

compra à prazo ou à vista



4 de set. de 2025

Por fora, bela viola...

 Eu falei que não ia contar

Mas eu tenho a língua solta

vou fazer só uma conta de idade aqui para entender


Se eu tenho 44 com cara de 35 e condições de saúde de 70 

O meu 44 deve ser a média de 

35 de cara + 

70  de saúde + 

27 de idade mental / 3

Agora faz sentido

3 de set. de 2025

Chicos são os Bobs do Brasil

Porque tem quase tanto Bob legal quanto Chico bacana!

Chico Buarque, Chico Anysio,  Chico Bento, Chico Science,  Xico Sá...

Bob Marley, Bob Dylan, Sponge Bob, Bobby McFerrin, Bob Moses...

testes de perfil ABCDEFG HIJK LMNOP QRSTUV WXYZ

Gosto de ver filmes de coisas impossíveis e séries de coisas já passadas. Ou o contrário. Escrever poemas pobres de rimas tortas e prosa de chocolate. Tirar fotos aleatórias do formato das sombras e de pequenas luzes do cotidiano nas cenas. Tomar café com podcast e sem açúcar. Cantar alto no meio de uma tarde de quarta só porque eu posso.


Gosto de ver possíveis passados e séries de filmes impossíveis.  Pelo contrário! Escrever rimas de chocolate e pobres prosas tortas. Tirar fotos dos formatos de pequenas luzes nas sombras do cotidiano das cenas aleatórias. Tomar podcast sem açúcar com café. Poder só cantar no meio de uma tarde alta de quarta. 


Gosto de impossíveis passados em filmes e séries já passadas. Tá tudo ao contrário? Escrever poemas de prosas tortas de rimas de chocolate. Tirar fotos de pequenas cenas cotidianas de sombras e luzes de formatos aleatórios. Açúcar, mas sem café, e podcast amargo. Quartar com alto canto no meio da tarde. 


Gosto de filmes do passado e tortas de chocolate. E séries de coisas impossíveis e rimas tortas e prosa de coisas do passado e muito ao contrário também, escrever! Podcast de foto de café com luzes do cotidiano aleatório e sombras pequenas das cenas com formatos . Poder uma tarde de canto altas de uma quarta só. 

minha pequena revolta inexata

Só não sou mais artista

porque tem aritmética

nas notas musicais


tem que fazer proporção

menos e mais na fotografia

sem contar a geometria


proporções e cálculos

contar sílaba na poesia


digo que minha escrita é moderna

para não ter arritmia 


para não fazer conta

para fugir das exatas

e continuar nas tontas


não vou contar sílaba tônica

22 de ago. de 2025

tudo normal dentro do caos

Guenta, que estou aqui, 

ouvindo jornal, 

enviando email e 

falando contigo


Guenta aí, pois preciso

resolver o almoço

me preocupar com os boy

e saber se invisto


Espera! ainda preciso,

responder a professora

o grupo da escola

cobrar o orçamento do vidro


Eita, esqueci da conta

qual pagar, quanto vai dar

deixo render ou retiro


Espera, hoje é sexta

vou sair, pagar babá

ou me contentar com a pizza



21 de ago. de 2025

ai que paz, ai que silêncio

 ai que paz, ai que silêncio. 

filho na escola, pet no banho 🧘🏽‍♀️

parece tão fácil trabalhar, que nem tento


ai que paz, ai que silêncio

uma casa sozinha

não tem cachorro, não tem grito

escuto até o vento


ai que paz, ai que silêncio

a máquina batendo, me volta a vida

a reunião em pouco tempo 

e eu no blog escondida


ai que paz, ai que silêncio

se fosse assim todo dia

faria mais poesia?


ai que paz, ai que silencio

dia de sol, nem quente, nem frio

trabalho do sofá

no braço, um café esfria

a culpa ainda é do atropelado

Que cansada

Que canseira

é muita coisa disfarçada, bem não cheira


é tanto desrespeito disfarçadao de cuidado

é tanto atropelo disfarçado de encontro

é tanto preconceito disfarçado de aviso

"são tão boas intenções, só falei de improviso"


tem que cuidar sempre, quando pensa que pode

já sobe um cuidado! 

a eterna vigilância do minorizado


Quando descansa a militante, 

se em 2025, a culpa ainda é do atropelado

15 de ago. de 2025

 Figurinha de bom dia 

quando a tecnologia encontra as tia 

13 de ago. de 2025

aspirador, tv, microondas

porta do quarto, mente, organiza

vidro no chão, conta vazia

vontade agoniza

12 de ago. de 2025

grandes distâncias no espaço(-) tempo


21 +

21-

8578


fazendo as contas aqui, acho que não vai dar

não vai dar tempo

nao vai dar liga

não vai dar certo

nem com figa


não vai dar pé, não vai dar bom

um encontro ou uma briga?


toda uma vida pela frente, toda outra pela metade.

a tecnologia permite ou empresta,

 um tempo, no sem tempo de tudo


Duas semanas no espaço-tempo 

a gente bem queria, mas nao vinga

2 de ago. de 2025

Imaginar da sala à cozinha

Eu queria era que você fosse mais escritor e descrevesse o que vê quando sai de  casa, como se fossem fotografias mentais com as suas impressões.

Conte da sua infância, como era viver na cidade onde nasceu. Você sentia frio, calor, amor, alegria? Como eram seus amigos, qual sua brincadeira preferida ou tinha algum segredo, aquele que na época parecia ser um fim do mundo, e com o passar dos anos você viu como era nada? 


E depois, quem foi a primeira paixonite, foi infantil ou foi adolescente? foi namoro ou flerte ou platônico? alguém mais velho ou coleguinha de escola. 


Este retrato, além das fotos, era o que eu queria. 


E as aulas, de escola, de curso, você bagunçava, prestava atenção, viajava no tema? Lia com antecedência a matéria, ou estudava tudo de última hora, na madrugada antes da prova ou na manhã do dia? 


O que eu quero é material para fazer o romance que eu já tenho em minha cabeça. Preciso do material de um dos protagonistas. Pode ser parte fictícia, não me importa, desde que seja bonito, ou desde que eu possa usar floreando a meu gosto, ou fazendo parte fictícia. 


Eu mudo os nomes, as datas, os locais, talvez algo muito marcante da cultura local fique difícil de mudar, isto talvez dará algumas pistas para um bom detetive literário. Mas mesmo assim será sem nome. Mudamos os nomes, talvez alguns mais comuns ou menos comuns, o que mais parecer sonoro, ou o que mais parecer disfarçar. é melhor parecer único ou é melhor mais um José ou João? 


Não quero nomes, não quero datas, mas quero impressões para ver através dos seus olhos, quero saber se você vê poesia no mundo, como sente a música, se compara comida com música, se palavras te lembram filmes ou te lembram livros. se livros te lembram pessoas, ou pessoas te lembram poemas. 


Qual lugar você sempre quis ir? Você conseguiu ou mudou de ideia? 

quantas ideias você já mudou ou quantas vezes mudou de ideia. as suas, mais do que a dos outros, a dos outros nunca saberemos. 


mas você insiste em falar como foi o dia de hoje, de ontem. e eu tenho que ter este trabalho aqui de fazer a cena toda sozinha. imaginar da sala à cozinha. imaginar a rua e a vizinha. as pessoas não ajudam os escritores e depois reclamam que não são fiéis. se não me alimentam de visões, eu imagino as cores. 


Só isso eu pediria. Onde bate o sol quando senta no sofá? É bonito ver a luz escapando da cortina? Tem um muro, uma montanha, outra janela da janela? A hora que acordou não me importa. Tinha vento no rosto, tinha barulho, tinha nada. Pensou no passado ou no futuro. Sentiu gosto amargo, vontade de ficar mais, ou se sentiu acelerado. Pensou em alguém ou em muitas pessoas, na faixa de Gaza, na tragédia humana, na discussão passada, na palavra dada ou perdida. 


imaginar roteiros é estar só. as pessoas não me dão mais moradia. fica a mente vagando distante, querendo do mundo um pouco mais de ousadia. onde se guarda o sonho, se ninguém mais sonha nada. como se inventa mundos, se contar do dia virou agenda, virou lista de padaria.


me contem, me contem tudo, não quero viajar sozinha. quero absorver do mundo as histórias. e mudar tudo que eu queria.


1 de ago. de 2025

Mas tá falando da coluna ou da vida?

 Eu sou tão torta, que se me endireitam

 me sinto torta

19 de mai. de 2025

trava-língua descarrilhado doce

 Tico e Teco comem um kit kat e depois um tic tac no boteco


 

Passar do tempo pela mexerica



Maio já tem mexerica na feira

Se já tem mexerica, já tem dias frios

Logo chega festa junina


Ainda ontem era novembro

de mexericas congeladas


Hoje já tem mexerica

Vistosa e laranja

para ser comprada


Para sentir passar o tempo

sem ser atropelada


Tem que atentar pra mexerica

antes de ser congelada